06 de julho, 2006 - 21h06 GMT (18h06 Brasília)
Angela Pimenta
de Nova York
O novo diretor de assuntos internacionais do Banco Central, Paulo Vieira da Cunha, disse nesta quinta-feira em Nova York que o Congresso brasileiro deve aprovar uma nova reforma da previdência e uma reforma tributária no início de 2007.
"Teremos algumas reformas estruturais no começo do próximo governo", disse Vieira da Cunha, durante uma palestra promovida pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.
"Estou menos pessimista (sobre as reformas) do que há alguns meses", disse, sem mencionar se as reformas seriam aprovadas independentemente de quem seja eleito para a Presidência da República.
"Hoje o Brasil já tem um amplo consenso a respeito. Não acredito que esta seja uma questão ideológica."
Superávit fiscal
Para o diretor do BC, "a principal tarefa à frente do próximo governo será consolidar os ganhos" macroeconômicos obtidos nos últimos anos.
Indagado se o aumento dos gastos do governo Lula e a queda de juros promovida pelo BC poderiam complicar os fundamentos econômicos no futuro, Vieira da Cunha afirmou que o governo continua comprometido a manter o superávit fiscal em 4,25%.
"Desde que os 4,25% sejam atingidos, não há motivo para preocupação", disse.
Mas ele acrescentou que o governo tem como melhorar a qualidade de seu ajuste fiscal, justamente através de reformas como a tributária e da previdência.
Inflação
Quanto à decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre manter a meta de inflação para 4,5% em 2007 e 2008, ele disse que "em longo termo esse é um nível alto de inflação, mas neste momento faz sentido não buscar uma meta tão ambiciosa quanto à de 3%".
Segundo Vieira da Cunha, a expectativa do governo, baseada no retorno de títulos do Tesouro indexados à inflação, é que ela continue a cair no Brasil.
Vieira da Cunha atribuiu em parte a queda da inflação e a valorização do real à diminuição do chamado risco-Brasil.
"Tudo isso é uma função das ações do setor público em eliminar sua dívida externa", disse, referindo-se ao pagamento antecipado do empréstimo que o governo brasileiro mantinha com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Cobertura cambial
Vieira da Cunha também se demonstrou otimista com a aprovação pelo Congresso de uma legislação que altere as regras para que os exportadores repatriem as divisas internacionais obtidas com suas vendas no exterior.
De acordo com a lei atual, todo exportador brasileiro precisa re-internar as divisas provenientes das exportações. Tal exigência é chamada de cobertura cambial.
"Houve já uma modificação regulatória (do BC), fazendo com que esse período fosse ampliado de 180 para 210 dias", disse.
"Mas agora o que está em discussão é a possibilidade de eliminar a necessidade da cobertura cambial. O exportador vai poder manter o dinheiro fora pelo período que ele quiser."
Ele acrescentou que a discussão sobre a nova lei já está no âmbito da Comissão de Política Econômica da Câmara Federal.
"De agora em diante, isso vai depender dos elementos da articulação política do governo", concluiu.