05 de julho, 2006 - 22h09 GMT (19h09 Brasília)
Jair Rattner
de Lisboa
Para os portugueses, o lance do pênalti sofrido por Tierry Henry que resultou no gol francês foi uma simulação.
O locutor da televisão SIC, que atingiu 90% de audiência, classificou a queda do atacante francês na área como “uma palhaçada”.
As críticas ao juiz uruguaio Jorge Larrionda foram generalizadas. A pergunta feita pelos jornalistas aos comentaristas, a Felipão e ao presidente variavam em torno do mesmo tema: “a arbitragem ajudou a França?”
Em meio à tristeza generalizada, com os portugueses abandonando as praças onde estavam colocados os telões, os comentários eram de revolta contra o árbitro.
"Sorte"
Eusébio, o melhor jogador da história portuguesa, responsável pelo país ter chegado ao terceiro lugar na Copa de 1966, juntou-se ao coro de críticas:
“Penso que o fator sorte não esteve do lado de Portugal. Teve dois pênaltis, mas o árbitro acabou por marcar apenas um”.
O presidente do Sporting, Miguel Ribeiro Teles, falou à rádio TSF no mesmo tom, criticando também time francês.
“Foi uma demonstração do antijogo da França. Os jogadores que nós aprendemos a respeitar, fizeram um jogo feio. No segundo tempo, não atacaram, ficaram o tempo todo na defesa. A arbitragem foi muito inteligente”.
Bastou a derrota para começarem as críticas a Felipão. O ex-jogador Diamantino, hoje técnico de futebol disse que faltou ousadia ao time português.
“Portugal deveria ter arriscado mais e facilitou. Deveria ter colocado mais um atacante ou um meia ofensivo quando houve a substituição por contusão do lateral Miguel e a equipe já estava perdendo.”
Desilusão
A imprensa portuguesa retratava a desilusão do país: “O sonho do título mundial terminou”, era a manchete do site Diário Digital (www.diariodigital.sapo.pt). O texto contava que mais uma vez, Portugal era eliminado nos pênaltis pelos franceses, como aconteceu na Eurocopa de 2000.
No site do jornal esportivo A Bola (www.abola.pt), o tom foi o mesmo: O sonho acabou”. O texto começava com um apelo: “Não chores, Portugal! Custa perder assim, mas a França não foi superior”. E relatava que além do pênalti sobre Henry houve outro cometido por Sagnol sobre o português Cristiano Ronaldo que não foi marcado pelo árbitro.
No jornal Record (www.record.pt), os termos foram os mesmos: “Acabou o sonho português”.