05 de julho, 2006 - 11h51 GMT (08h51 Brasília)
No dia do confronto entre França e Portugal, um artigo do jornal português Diário de Notícias afirma que "o antes mal-amado 'sargentão' Scolari virou o herói do país".
"A alma, energia e confiança são transmitidas e vividas a partir do banco (que contraste com o triste e apagado treinador francês!)", escreve o colunista Vicente Jorge e Silva.
Ele faz uma comparação entre o que chama de os dois protagonistas da semi-final: Scolari e Zidane.
"No crepúsculo de sua carreira, no último adeus que teima em diferir de jogo para jogo, Zidane renasce em todo o seu explendor", elogia o colunista, comparando o francês com heróis mitológicos que "guardam para a hora do adeus a alma maior dos feitos guerreiros".
E se?
Para ele, tanto a França como Portugal deixaram de lado o pessimismo com que viam seus times nacionais e estariam "embriagados de uma euforia ilimitada, os sonhos mais loucos se tornaram subitamente possíveis".
Jorge e Silva diz que mesmo se o resultado de hoje for derrota, "já deveríamos considerar a nossa auto-estima recuperada".
O problema é, para ele, "se acabarmos campeões do mundo, como conciliar a alma de vencedores com o velho fardo de derrotados na vida".
"A seleção já fez tudo o que tinha que fazer por nós. Resta saber o que podemos fazer para merecer a seleção."
Arte Déco
O jornal O Público considera que "a final chegou mais cedo para Portugal" e lembra que a França já eliminou duas seleções que "sabem tocar bem a bola, Brasil e Espanha".
"Scolari será menos pretensioso do que estas duas seleções, que entraram em campo com o sentimento de que o que tinham feito até esta altura bastaria para afastar do seu caminho uma França que foi achincalhada no seu próprio país por não ter conseguido melhor do que empatar com a Suíça e Coréia do Sul.”
Mesmo assim, o jornal lembra a cautela pedida pelo treinador, que disse que a França "é a equipe mais preparada das quatro que chegaram até aqui".
A Copa ainda não acabou para dois brasileiros, Scolari e Deco, diz o jornal britânico The Financial Times.
"Por anos o futebol português foi infestado por jogadas sem sentido, chutões para o nada, truques desnecessários", diz o jornal.
"Mas Scolari é um brutal vencedor, que não hesita em deixar medalhões no banco", acrescenta o Financial Times.
"O barroco foi substituído pela arte déco", diz o jornal, em um trocadilho com o nome do jogador da seleção de Portugal.