02 de julho, 2006 - 00h14 GMT (21h14 Brasília)
Enquanto pelo lado brasileiro o "quarteto mágico" do técnico Parreira não funcionou em nenhuma das cinco partidas disputadas pelo Brasil nesta Copa do Mundo, na seleção da França a estrela de Zinedine Zidane brilhou intensamente na vitória de 1 a 0 que eliminou o Brasil nas quartas-de-final.
Eleito pela Fifa o craque do jogo, Zidane usou e abusou de seu repertório de "feitiçaria" futebolística.
Com dribles geniais e passes precisos, Zidane comandou a seleção francesa com elegância e eficiência.
Chegou a aplicar um lençol no amigo e companheiro de Real Madrid, Ronaldo.
Sem sofrer marcação especial por parte dos jogadores brasileiros, Zidane teve toda a liberdade que precisava para tocar a bola e ditar o ritmo de jogo.
Velho
Depois de amargar uma má temporada no Real Madrid que acabou sem a conquista de nenhum título, Zidane chegou na Copa desacreditado.
Com 34 anos, o francês, que marcou dois gols na final da Copa de 98 contra o Brasil, chegou a ser chamado de velho por alguns e foi tido como ultrapassado.
A má campanha da França na primeira fase com dois empates contra Suíça e Coréia do Sul e apenas uma vitória sobre o Togo, parecia comprovar que Zidane caminhava para uma aposentadoria inglória.
Mas a recuperação do time francês com a vitória de 3 a 1 sobre a Espanha nas oitavas-de-final, mostrou um Zidane de volta à boa forma.
Com a velha classe refinada ele fez a bola rolar de um lado para o outro do campo envolvendo os garotos do meio-campo espanhol, Fabregas, Garcia e Alonso.
O belo gol marcado pelo veterano Zidane no final do jogo era uma indicação que o craque francês estava revigorado e que iria dar trabalho ao Brasil.
No jogo deste sábado foi ele quem mais brilhou em campo, comandou o time, pôs o Brasil na roda e ainda cobrou a falta que acabou no gol que eliminou o Brasil.
Depois do jogo de hoje Zidane ouviu apelos insistentes dos torcedores franceses para que desista de pendurar as chuteiras.
Sem mudar a decisão tomada, Zidane disse que o objetivo do time ainda não foi alcançado.
"Lutamos muito e merecemos a vitória. Agora, tentaremos um lugar na final. Não queremos parar. Isso tudo é muito bonito e queremos ir além."
Se esta Copa, até então, não tinha um destaque nítido, um jogador que colocasse em prática toda a magia do futebol, as últimas atuações de Zinedine Zidane põem o craque francês como um forte candidato ao prêmio de melhor jogador do torneio.