30 de junho, 2006 - 22h41 GMT (19h41 Brasília)
Diego Toledo
de Frankfurt, Alemanha
Na véspera da partida contra o Brasil, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo, a seleção da França manifestou desconforto com a escolha do árbitro que vai apitar o jogo e deu sinais de que pretende apostar nos contra-ataques diante da equipe brasileira.
Depois do treino de reconhecimento do gramado no estádio onde a partida será disputada, em Frankfurt, o treinador francês Raymond Domenech insinuou que a Fifa errou ao apontar o espanhol Luis Medina Cantalejo para comandar o jogo.
“Não estou questionando a honestidade do árbitro, mas designá-lo para essa partida o coloca sobre muita pressão”, disse o técnico da França. “Qualquer decisão polêmica que ele tomar será comparada ao pênalti marcado no jogo entre Itália e Austrália.”
Cantalejo apitou a partida das oitavas-de-final em que a equipe italiana conseguiu a vitória graças a um pênalti duvidoso marcado aos 49 minutos do segundo tempo.
Mesmo sem ser questionado sobre a arbitragem, o treinador francês fez questão de deixar sua opinião ao final de uma entrevista coletiva.
Na primeira fase da Copa, Domenech já havia criticado a atuação dos juízes que apitaram as duas primeiras partidas da França no Mundial
Marcação
Ao comentar a partida deste sábado, o técnico da seleção francesa se limitou a reconhecer a força do Brasil e o equilíbrio do confronto.
No mesmo tom do discurso adotado por Carlos Alberto Parreira, Domenech disse que o novo confronto entre Brasil e França não pode ser comparado com à final da Copa de 1998, quando os franceses levaram a melhor e venceram por 3 a 0.
Para justificar sua avaliação, o treinador disse que as duas equipes chegam agora em condições diferentes e lembrou que o jogo deste sábado será em Frankfurt, não em Paris, e que, ao contrário da partida de 98, não se trata de uma decisão.
Domenech também demonstrou bom humor ao negar que a equipe francesa pretenda armar um esquema de marcação especial para conter o atacante Ronaldo.
“Não posso marcar só o Ronaldo. Se fizer isso, quem vai marcar Ronaldinho, Kaká, Adriano... E ainda tem os dois laterais e o Zé Roberto, que também atacam”, brincou o técnico da França.
Ponto fraco
Antes da coletiva de Domenech, o volante Patrick Vieira revelou a motivação dos jogadores franceses para enfrentar o Brasil neste sábado.
“Esse é o tipo de partida que todo jogador quer disputar. Estamos todos muito empolgados”, afirmou Vieira, que foi eleito pela Fifa o melhor em campo nas duas últimas partidas da França.
O companheiro de Emerson no meio-campo da Juventus, de Turim, minimizou o fato de Brasil e França terem as duas equipes com as maiores médias de idade nas quartas-de-final da Copa (Brasil: 29 anos e França: 29,6 anos) e negou que uma vitória seja uma garantia de título para os franceses.
“O Brasil está entre os principais favoritos e vencer, seria um grande passo à frente, mas não significaria que vamos vencer a Copa do Mundo”, disse o volante francês.
Vieira também revelou a receita da França para tentar derrotar a Seleção Brasileira e conseguir a classificação para as semifinais do Mundial.
“Temos que mostrar nosso jogo e não só nos concentrar em defender”, comentou. “Uma das fraquezas da equipe do Brasil pode ser o fato de que eles gostam de praticar um futebol ofensivo e isso cria espaço para os adversários deles.”
“Eles criam muitas chances e marcam muitos gols”, acrescentou Vieira. “Teremos que ser pacientes e esperar por nossas chances.”