29 de junho, 2006 - 07h38 GMT (04h38 Brasília)
"Aqui Jazz uma Lagosta do Maine Morta Humanamente", era a manchete de quase uma página do New York Times, ilustrada com com uma lagosta num caixão.
Lagostas, patos, peixes e até ostras estão em discussão no menu da ética americana de como matar antes de desfrutar. O patê de "foagrá" está em ritmo de extinção em vários Estados americanos.
Chicago proibiu a venda este mês. Na Califórnia, que já foi o maior produtor do país, a venda vai ser proibida a partir de 2012. Algumas "fazendas" de patos já fecharam e hoje Nova York lidera a produção, mas os patos vão ganhar esta guerra.
Eu comecei a comer foagrá há uns quinze anos, quando ficou mais barato. Não cheguei a me fartar porque, idiotamente, fui visitar uma fazenda no Vale do Hudson, onde os patos são alimentados à força. Pior do que ver o processo da alimentação foi ter entrado na sala da execução. Nunca mais comi foagrá.
Em Nova York o movimento de defesa dos patos ainda não chegou ao nível semi-terrorista da Califórnia onde as casas e carros de donos de restaurantes foram vandalizadas, suas famílias filmadas e ameaçadas pelos protetores dos patos.
A lagosta, que hoje custa mais caro do que o foagrá, ainda não desperta fanatismo dos seus defensores mas - Whole Foods - uma das grandes cadeias de alimentos, decidiu que não vai mais vender lagostas vivas porque as últimas horas delas nos tanques são muito sofridas.
Mais dolorosas do que a morte na panela d'água fervendo? Se, antes de comer, você pensar na fervura da lagosta viva, perde o apetite. E a vaca, tão simpática, não merece nosso humanismo? Nem a pobre galinha, tão pateta e inofensiva sem o tal vírus.
Vários "chefs" de grandes restaurantes de Nova York entraram no debate. Eric Ripert, do Bernadin, o melhor restaurante de peixe de Manhattan, diz que não mata na fervura. Degola a lagosta com uma faca afiadíassima.
Quando um repórter quis aprofundar o debate entre a degola e a fervura, ele perdeu a paciência:
- E as ostras. Ninguém tem pena delas? São comidas vivas. Já pensou?
Pensei...mas pra ostra eu não tenho coração.