28 de junho, 2006 - 18h36 GMT (15h36 Brasília)
Diego Toledo
de Bergisch Gladbach, Alemanha
O coordenador técnico da Seleção Brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, admitiu nesta quarta-feira que se recorda da derrota por 3 a 0 para a França, na final da Copa do Mundo de 1998, sempre que o Brasil enfrenta a equipe francesa.
Treinador da Seleção em 98, Zagallo atribui o resultado daquela partida à convulsão que o atacante Ronaldo sofreu horas antes de jogo, mas rejeita a idéia de que o duelo contra a França, no próximo sábado, pelas quartas-de-final da Copa, seja uma revanche.
“São duas época diferentes, mas sempre fica aquele ranço”, afirma. “Eu, particularmente, torci para que a França ganhasse para ter Brasil e França pela frente. Mas não tem revanche porque são competições totalmente diferentes.”
Na opinião de Zagallo, o “problema de saúde” de Ronaldo ficou para trás e, agora, o atacante pode ser o fator de desequilíbrio no confronto contra a seleção francesa na Alemanha.
“O problema do Ronaldo, naquele momento, trouxe um desajuste total à equipe”, avalia. “O 3 a 0 foi consequência do que se passou com ele naquela Copa. Hoje, nós temos um Ronaldo inteiro e que vai fazer a diferença nesse jogo de Brasil e França.”
Superstições
Aos 74 anos, com oito a mais do que na Copa da França, Zagallo não perdeu o hábito de tentar incentivar a torcida pelo Brasil com suas superstições e frases de efeito.
“‘Brasil e França’ têm 13 letras”, brincou nesta quarta-feira, antes de lembrar que, apesar de ter sido derrotado como treinador em 98, venceu os franceses como jogador por 5 a 2 nas semifinais da Copa do Mundo de 1958.
A poucos dias do novo duelo com a equipe francesa, o coordenador técnico da Seleção Brasileira aproveitou também para resgatar um de seus antigos bordões.
“Só faltam três”, bradou Zagallo, em uma referência ao número de partidas que o Brasil ainda terá de superar para vencer a Copa pela sexta vez.
Veterano em Mundiais, o conselheiro do técnico Carlos Alberto Parreira também ironizou a promessa de despedida do craque francês Zinedine Zidane, que planeja deixar o futebol após o fim da Copa.
“Espero que seja o último jogo dele nessa Copa”, disse Zagallo. “Se vai ser o último dele, eu não sei. Mas estou torcendo muito para que seja o último nessa Copa.”
Antes de partir para acompanhar o treino do Brasil na cidade alemã de Bergisch Gladbach, o coordenador técnico da Seleção Brasleira ainda encontrou tempo para mais uma demonstração de bom humor.
A pergunta: Zagallo, será que esse jogo contra a França é uma boa oportunidade para o Ronaldinho Gaúcho explodir na Copa?
“Se ele explodir, é pior para nós. Eu quero que ele jogue bem, faça uma boa partida porque, se explodir, ele vai para o espaço. A gente não quer que ele vá para o espaço”, disparou.