28 de junho, 2006 - 17h00 GMT (14h00 Brasília)
Pablo Uchoa
É 'inaceitável' que o acordo comercial da Rodada de Doha se oriente pela proposta de redução do protecionismo agrícola feita pelos países emergentes, disseram nesta quarta-feira produtores agrícolas dos países industrializados.
“O futuro dos agricultores europeus estaria seriamente ameaçado e milhões de empregos seriam perdidos”, declarou Rudolf Schwarzenboeck, presidente da Copa, organização que engloba entidades da agricultura de 30 países.
Os produtores reafirmam suas posições às vésperas da organização da Organização Mundial do Comércio (OMC) que vai discutir o tema entre esta quinta-feira, 29, e o domingo, 2 de julho.
O G-20, grupo de países emergentes liderados pelo Brasil e a Índia, quer uma redução de 54% nas tarifas agrícolas, bem acima do corte de 39% que os países europeus estão dispostos a conceder.
Os países industrializados exigem como contrapartida o acesso do mercado de produtos industriais e de serviços dos países emergentes.
Hora da verdade
O diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, disse que esta é a “hora da verdade” para as negociações da rodada de Doha, que visam a liberalizar o comércio mundial.
“Em qualquer negociação, há um momento em que já é muito tarde. Agora é o momento em que os ministros precisam avançar, e não depois”, alertou o chefe da organização, ao deixar uma reunião com chefes das delegações que participam do encontro.
Os negociadores têm a difícil missão de traduzir, em números, um acordo que contemple os objetivos dos países emergentes e industrializados.
O impasse já dura um ano e meio, pois as negociações deveriam ter sido concluídas em 2006. Na reunião de dezembro de 2005 em Hong Kong, a OMC reviu este prazo para o fim deste ano.
A representante comercial dos Estados Unidos, Susan Schwab, reafirmou que o país continua oferecendo um corte de até 60% aos subsídios no seu setor agrícola, desde que a Europa concorde em avançar na redução de seu protecionismo.
Mas a União Européia, que no passado sinalizou que poderia elevar sua proposta de corte tarifário para 49%, argumenta que a proposta americana não muda o atual nível de subsídios, acima de US$ 20 bilhões.
Pascal Lamy disse esperar que União Européia, Estados Unidos e o G-20, as principais partes nas negociações, “venham a Genebra com uma idéia precisa dos números que podem colocar sobre a mesa”.