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21 de junho, 2006 - 19h00 GMT (16h00 Brasília)

Paulo Cabral
do Cairo

Copa exclui famílias e mulheres no mundo árabe

A Copa do Mundo não está sendo transmitida nas televisões abertas da maioria dos países árabes – inclusive o Egito – criando dificuldades para quem não tem dinheiro para comprar o pacote da TV por assinatura.

No Egito, ainda é possível assistir as partidas em cafeterias ou telões, mas famílias ou mulheres que só tem a opção de ver o jogo em casa – nada incomum numa socidade islâmica e cada vez mais conservadora – acabaram ficando de fora.

A Rede Árabe de Rádio e Televisão (ART), baseada em Dubai, tem os direitos exclusivos de transmissão nos países árabes não só para este campeonato mas também para as próximas duas Copas.

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O preço do decodificador para assistir os jogos por satélite ou TV a cabo varia de acordo com o país e o plano de assinatura, mas de qualquer maneira fica bem acima do que pode pagar grande parte da população do Oriente Médio.

O rei do Marrocos, Mohamed 6, teve que intervir pessoalmente para que a TV estatal conseguisse um acordo com a ART para transmitir as partidas com sinal aberto. Aqui no Egito o governo também tentou mas não conseguiu colocar as jogos nos canais estatais de televisão

Família

Há quem até prefira assistir o futebol nas ruas da cidade com os amigos. Mas muitas famílias perderam o acesso a um evento que colocava todo mundo junto em torno da TV nos últimos quatro ano.

O Egito, atual campeão africano, não conseguiu se classificar para a Copa de 2006 mas a população é apaixonada por futebol e está muito interessada na competição.

“Os egípcios adoram o Brasil. Todo mundo está torcendo por vocês”, diz ele, repetindo uma frase que não é difícil de ouvir aqui no Cairo.

Ele conta que há quatro anos acompanhou junto com a mulher, os dois filhos e uma filha a conquista do pentacampeonato brasileiro na TV de casa.

“Este ano nada de futebol. As pessoas aqui no Egito são pobres e este é o nosso esporte”, diz ele explicando que teria que pagar o equivalente a quase 500 reais se quisesse as partidas na sala de casa.

Cafeterias

O taxista – que trabalha aproximadamente 15 horas por dia dirigindo pela cidade – diz que não gosta de freqüentar as cafeterias onde homens estão se reunido para assistir os jogos e que levar a família para um deles está fora de cogitação.

“São jovens fumando e falando besteira. Não é um ambiente bom”, diz.

Os cafés do Cairo são os pontos de encontro da cidade onde os egípcios vão para matar o tempo jogando dominó, gamão, conversando e, agora, assistindo a Copa do Mundo.

Os cafés não servem bebidas alcólicas e os egípcios passam horas tomando chá e fumando tabaco aromatiazado nas shishas, aquele garrafa-cachimbo com água que em outras partes do mundo árabe chamam-se narguilé.

Eles não costumam ser ambientes particularmente perigosos ou violentos mas famílias mais conservadoras olham feio para esses ambientes, frequentados exclusivamente por homens.

“Não, é impossível. Não posso de maneira alguma assistir jogo num lugar assim”, me diz a mulher de Mustafa Al-Sibai, Fatma.