20 de junho, 2006 - 18h27 GMT (15h27 Brasília)
Jair Rattner
de Lisboa
Uma eventual retração econômica nos Estados Unidos terá um efeito insignificante sobre as exportações brasileiras, na avaliação do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan.
Para conter o risco de inflação, o Federal Reserve (banco central norte-americano) tem aumentado as taxas de juros, o que tem efeito na diminuição do consumo e das importações.
“Neste momento, os Estados Unidos são o terceiro mercado das exportações brasileiras, sendo o primeiro a União Européia, o segundo a América Latina. Representam 19% do total. Mesmo se houver uma crise nos Estados Unidos e as exportações para lá caírem 10%, o que seria uma estimativa exagerada e bastante improvável, isso representaria apenas uma diminuição das exportações em US$ 2,5 bilhões por ano”, disse Furlan.
Em Lisboa, onde veio inaugurar o Centro de Distribuição de Produtos Brasileiros da APEX (Agência de Promoção de Exportações) para a Península Ibérica, o ministro afirmou que apesar da queda do dólar, o crescimento das exportações vai continuar.
“Mantemos as previsões feitas em janeiro de US$ 132 bilhões de exportações, o que representa um crescimento de 12% em relação ao ano passado. Para as importações, nós estimamos um crescimento mais vigoroso, provavelmente acima dos 20%, o que é bom para o país, que haja mais comércio”.
Ele avaliou o impacto do câmbio nas exportações brasileiras: “Nas últimas semanas vimos uma recuperação da taxa de câmbio, que subiu para 2,25 reais, cerca de 10% em relação aos 2,05 reais que foi o ponto mais baixo. Mesmo com a atual taxa de câmbio, as exportações vão continuar crescendo, embora com menos vigor do que nos primeiro três anos do governo Lula”.
Expectativas
Furlan não quis apresentar o que considera a taxa de câmbio ideal para o melhor desenvolvimento da economia. Optou por falar das expectativas de quem vende para o exterior: “Os exportadores gostariam que fosse de 3 reais por dólar, a mesma relação de três para um que a Argentina tem hoje. Mas diante da realidade, eles baixam as expectativas”.
Na próxima semana, o governo brasileiro deverá anunciar medidas de apoio aos exportadores, que tinham sido prometidas há cerca de um mês.
“Nós já fizemos as propostas, juntamente com o Guido Mantega (Ministro da Fazenda) e o Meirelles (presidente do Banco Central), e provavelmente na minha volta ao Brasil deve haver novidades. Havia uma precaução de aguardar passar esse período de maior volatilidade dos mercados e aparentemente estamos entrando num período de menor turbulência. Não seria muito prudente adotar medidas no meio dessa volatilidade.”
As medidas vão incluir financiamento aos setores exportadores e alargamento de prazos para as operações cambiais. Haverá também medidas para os setores que estão com maiores dificuldades, como o de transportes e o de calçados.
Furlan também afirmou que o acordo automotivo com a Argentina está praticamente fechado e que na segunda-feira da próxima semana ele deverá estar em Buenos Aires para assinar o documento.