19 de junho, 2006 - 00h31 GMT (21h31 Brasília)
Diego Toledo
Enviado especial a Munique
As três substituições que o técnico Carlos Alberto Parreira fez na vitória por 2 a 0 do Brasil contra a Austrália deram novo ânimo para a Seleção Brasileira e ajudaram a equipe a conseguir a classificação para as oitavas-de-final da Copa do Mundo.
A entrada de Robinho deu mais movimentação ao ataque, Gilberto Silva fortaleceu a proteção à defesa e Fred, que esteve por apenas cinco minutos em campo, mostrou que tem faro para gol ao aproveitar a oportunidade que teve para definir o placar.
“Foi um momento de euforia total. Eu nem sabia como comemorar”, contou Fred. “A gente entra com pouco tempo e consegue fazer o gol da Seleção. Eu me sinto muito feliz. Isso dá mais confiança para a gente.”
Ao final da partida, o atacante correu atrás da bola do jogo, colocou embaixo do braço e tentou levá-la para casa como lembrança, mas foi impedido pela Fifa. “Eles falaram que não podiam dar”, revelou Fred.
Movimentação
Diante da Austrália, a dupla de ataque da Seleção Brasileira, que decepcionou no primeiro jogo, se movimentou mais do que na estréia contra a Croácia e procurou abrir espaços na fechada defesa adversária.
Os dois atacantes criaram a jogada do primeiro gol, marcado por Adriano após passe de Ronaldo. Na comemoração, o atacante homenageou o filho nascido na última sexta-feira com o mesmo gesto que Bebeto fez ao marcar um gol na Copa do Mundo de 1994.
Mas foi apenas quando Robinho substituiu Ronaldo que a equipe do Brasil passou a criar mais dificuldade para os australianos.
“No segundo tempo, a Austrália saiu mais para o jogo e eu procurei fazer aquilo que o professor Parreira sempre pede: me movimentei bastante no ataque para fugir da marcação”, comentou Robinho.
A velocidade e a mobilidade do jovem atacante deram mais dinamismo à equipe e os meias Kaká e Ronaldinho Gaúcho, que sofriam forte marcação, passaram a ter mais opções na hora de armar as jogadas de ataque.
Junto com Robinho, Parreira colocou em campo Gilberto Silva no lugar de Emerson. A mudança deixou a defesa brasileira mais organizada e segura diante das bolas aéreas e do vigor físico do ataque da Austrália.
“Parreira pediu para eu fechar o lado direito porque tinha sempre dois jogadores para o Cafu marcar”, disse Gilberto Silva. “Também entrei para ajudar na marcação junto com os zagueiros. Tinha dois jogadores altos enfiados e mais um pela esquerda que estavam dando um pouco de trabalho, principalmente na bola aérea.”
Confiança
Com a boa atuação contra a Austrália, os três substitutos deram um passo importante para conquistar a confiança de Parreira, que ainda demonstrar cautela ao comentar a possibilidade de mudanças na equipe.
“O Brasil não vai depender só de 11, nós precisamos ter 14, 15 ou 16”, afirmou o técnico da Seleção. “Eu tenho a confiança em colocar para jogar qualquer um dos 23 que estão aqui.”
Apesar de admitir a utilização de outros jogadores, Parreira valoriza a experiência e o entrosamento da equipe titular, o que diminui as chances de mudanças significativas.
Além disso, o treinador afirma que Ronaldo precisa de mais ritmo de jogo, o que indica que o atacante deve seguir como titular contra o Japão, na próxima quinta-feira.
Recorde
O treinador deu sinais, no entanto, de que pode poupar alguns jogadores, principalmente depois que a comissão técnica avaliar o cansaço dos atletas que enfrentaram a Austrália.
“Se ele precisar fazer isso, a gente está preparado para poder jogar novamente”, afirma Gilberto Silva.
Além do estado físico dos jogadores, o Brasil também tem quatro jogadores pendurados com um cartão amarelo: Cafu, Emerson, Ronaldo e Robinho. Os quatro correm o risco de ficar de fora das oitavas-de-final se receberem outro cartão contra o Japão.
“O cartão não preocupa de maneira nenhuma. Eu, como todos os companheiros, quero jogar. Todo mundo quer jogar”, diz o capitão Cafu. “Se Parreira perguntar se quero jogar ou ser poupado, vou falar que quero jogar, sem dúvida.”
O lateral tem ainda um motivo extra para querer entrar em campo na quinta-feira: bater o recorde de partidas com a camisa da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.
Diante da Austrália, Cafu igualou a marca de Dunga e Taffarel ao completar 18 jogos pelo Brasil em Mundiais.