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17 de junho, 2006 - 22h43 GMT (19h43 Brasília)

Eric Brücher Camara
enviado especial a Munique

Após goleada, Brasil evita encher bola da Argentina

O Brasil desembarcou na Alemanha como grande favorito ao bicampeonato e sexto título mundial, mas estreou sem brilho sobre a Croácia. Mais acostumados a falar sobre o próprio favoritismo que o dos outros, os jogadores da Seleção Brasileira minimizaram a goleada da Argentina.

“A gente não tem que estar falando da Argentina neste momento. A Argentina fez por merecer o resultado, envolveu o adversário, e a gente tem que pensar em fazer o nosso trabalho. Depois dessa goleada, tenho certeza de que muitos vão voltar a respeitar a Argentina”, disse o lateral direito Cafu.

Os hermanos chegaram sem grande alarde, venceram o difícil primeiro jogo, contra a Costa do Marfim, por 2 a 1, e logo na segunda partida desferiram a maior goleada da Copa: 6 a 0 contra a Sérvia. Com direito ao primeiro gol de placa da Copa.

“O segundo gol foi talvez tenha sido o gol mais bonito da copa até agora. Acho que dificilmente teremos um mais bonito que aquele, como a jogada foi articulada”, disse o técnico brasileiro, Carlos Alberto Parreira.

Mesmo assim, o discurso que impera entre o técnico e os jogadores brasileiros é o de que as façanhas da Argentina não dizem respeito – pelo menos por enquanto – ao Brasil.

Vencer, vencer

O próprio Parreira não se cansa de dizer que o importante é apenas vencer o próximo adversário.

“Resultado positivo significa praticamente lugar assegurado na segunda fase. Não tem que estar preocupado com adversário que ganhou de cinco ou de seis”, disse o treinador.

O atacante Adriano, que divide com Ronaldo a responsabilidade de marcar os gols da Seleção Brasileira, é outro que evita dar muita importância à goleada argentina.

O imperador da Inter de Milão diz que as suas atenções estão voltadas para a Austrália.

“A gente não está assustado com nada. A Argentina é uma grande seleção, nós sabemos desde outras copas, mas a gente espera que amanhã a gente possa também encontrar o nosso caminho“, afirmou o artilheiro.

A opinião do volante do Arsenal, Gilberto Silva, é quase idêntica.

“No momento a gente não vai enfrentar a Argentina, e a gente sempre soube que a Argentina é um adversário difícil, de tradição. Estamos pensando na Austrália e no Japão.”

O único que dá a entender algum tipo de preocupação com os argentinos é o técnico Parreira. Nada muito escancarado: ”jogo irrepreensível”, “time de alta qualidade técnica” e “gols belíssimos” foram algumas das indicações do que passa na mente do professor.

Mas, elogios à parte, o maior indício de que a Argentina pode estar começando a incomodar o Brasil, mesmo antes de qualquer previsão de confronto direto, foi a abdicação do favoritismo brasileiro por Parreira.

“É um time que rivaliza com o Brasil em qualidade técnica, chegou com calma, sem nenhum pressão. Agora vai mudar, já passou a ser uma das favoritas.”

Resta ver, como o time de José Pekerman vai lidar com o peso desse favoritismo.