10 de junho, 2006 - 18h42 GMT (15h42 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial a Königstein
O ministro do Esporte, Orlando Silva Júnior, afirmou neste sábado, em Königstein, na Alemanha, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quis apenas abordar um assunto que é debatido em todo o país ao perguntar sobre o peso do atacante Ronaldo.
“Ele fez apenas o que todo chefe de Estado faz: manifestou o sentimento nacional”, disse Silva Júnior, que acompanhou o treino da Seleção na Alemanha e representará o governo na partida de estréia do Brasil na Copa, contra a Croácia, na terça-feira.
A pergunta de Lula, dirigida ao técnico Carlos Alberto Parreira durante uma videoconferência entre o presidente e os jogadores da Seleção, provocou uma reação irritada de Ronaldo, que não participou da conversa.
Ao perceber o impacto negativo de seu comentário, Lula enviou uma carta a Ronaldo na tentativa de esclarecer o episódio. Por meio de seu site oficial, o atacante respondeu ter ficado satisfeito com a carta e disse que o episódio estava “mais do que superado”.
“Na carta, o presidente fala da impressão que ele teve por meio do noticiário”, afirmou o ministro do Esporte. “Houve muita especulação a respeito. O presidente e Ronaldo são duas personalidades. Tudo o que falam ganha repercussão.”
Videoconferência
A videoconferência entre Lula e os jogadores da Seleção ocorreu na noite de quinta-feira. Ausente por conta de um princípio de resfriado, Ronaldo foi o personagem de um dos assuntos abordados pelo presidente.
“De vez em quando, encontro com o Ronaldo. Eu sei que ele está magro, mas vira e mexe a gente lê aqui na imprensa brasileira que o Ronaldo está gordo. Afinal de contas, ele está gordo ou não está gordo?”, perguntou o presidente a Parreira.
“Ele está muito forte, presidente. Já não é mais aquele garotinho, mudou o biotipo”, respondeu Parreira.
No dia seguinte, ao comentar a pergunta de Lula, Ronaldo lembrou uma antiga polêmica, despertada por uma reportagem do The New York Times, sobre o suposto hábito de beber de Lula.
“Ele falou que eu estou gordo, todo mundo diz que ele bebe pra caramba. Tanto é mentira que eu estou gordo, como deve ser mentira também que ele bebe pra caramba”, disse o atacante em entrevista a emissoras de televisão.
Reconciliação
Depois de receber a carta de esclarecimento do presidente, Ronaldo mudou o tom do discurso e disse que “todos os brasileiros precisam estar juntos para torcer” pela Seleção.
“A carta do presidente foi muito boa e mostrou que ele entendeu o que eu quis dizer. Nem sempre o que é dito a nosso respeito corresponde à verdade”, afirmou o atacante por meio de seu site oficial.
De acordo com o texto na página de Ronaldo na internet, “o presidente ressaltou que tem muito carinho pelo craque, numa demonstração de que não quis ofendê-lo ao perguntar sobre seu estado físico ao técnico Carlos Alberto Parreira”.
Na tarde deste sábado, o ministro Orlando Silva Júnior reafirmou que Lula "adora" Ronaldo e negou que o objetivo de sua visita ao treino da Seleção tenha sido colocar panos quentes na polêmica provocada pela pergunta do presidente.
"A carta que o presidente mandou já colocou um ponto final nessa história", disse o ministro. "Minha visita já estava programada há um bom tempo. Vim para trazer o sentimento do povo brasileiro. As cidades do Brasil já estão no clima de Copa."
Silva Júnior também rebateu a tese de que o episódio entre Lula e Ronaldo possa ter algum impacto nas eleições de outubro. De acordo com o ministro, Copa do Mundo e eleições não se misturam e não haverá uso político da Seleção por parte do governo.