08 de junho, 2006 - 22h04 GMT (19h04 Brasília)
Jair Rattner
De Lisboa
O técnico brasileiro Luiz Felipe Scolari está com a bola toda na imprensa portuguesa.
Quase todos os dias surgem textos elogiando o treinador, que já levou a seleção portuguesa a um inédito vice-campeonato na Eurocopa e está batendo todos os recordes do futebol do país – os últimos foram a melhor classificação da história portuguesa para uma Copa do Mundo e a maior seqüência de vitórias seguidas, 14.
Nesta semana, Felipão faz a capa da segunda revista semanal mais lida no país, a Sábado (publicada na quinta).
Na capa, o treinador aparece em grande plano tendo como fundo a bandeira portuguesa e dois dedos puxando os lábios para formar um sorriso.
Otimismo
A manchete diz simplesmente: “Como ele nos torna otimistas”.
E a revista explica, dizendo que “estudos internacionais provam que com otimismo pode se viver mais 7,5 anos e passar a receber um salário melhor”.
O texto conta casos de pessoas que depois de se empolgarem com a campanha da Eurocopa em 2004, resolveram mudar de vida e se deram bem.
O apoio a Felipão é total, mesmo quando dá uma ensaboadela ou raspanete – termos portugueses para bronca – nos maiores craques do país.
Não houve nenhuma crítica ao técnico quando, por exemplo, no treino da quarta-feira, Felipão deu broncas em Pauleta (ídolo do Paris Saint Germain e artilheiro do campeonato francês), Simão Sabrosa (ídolo do Benfica) e mais cinco jogadores.
Grande forma
No Jornal de Notícias, o título de uma das matérias desta quinta era “Scolari está em grande forma”.
Isso para noticiar o interesse do Fenerbahce da Turquia pelo técnico.
O jornal A Bola apresenta suposições: “Certo é que, se viajaram, os turcos não foram recebidos, até porque há uma regra muito clara na seleção nacional, imposta pelo próprio Scolari: na preparação e durante o Mundial, os assuntos relacionados com os clubes passam para segundo plano. Não quererá, certamente, ser o selecionador a quebrar a lei.”
No entanto o jornal ressalva a possibilidade de os turcos estarem negociando com o empresário de Scolari, Gilmar Veloz.