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08 de junho, 2006 - 09h29 GMT (06h29 Brasília)

Eric Brücher Camara
enviado especial à Alemanha

Ser gandula do Brasil é orgulho para alemães

Na pacata e verde-e-amarela Königstein, um grupo de 54 meninos está provocando inveja nos outros jovens da cidade alemã: são os gandulas oficiais e voluntários dos treinos da Seleção Brasileira.

Quietos e bem-comportados, em cada treino seis jogadores juvenis e infantis do FC Königstein (FCK), o time da cidade, aguardam nos cantos do campo a oportunidade de catar e devolver as bolas aos ídolos. Oportunidade que pode render preciosos autógrafos.

“Consegui um autógrafo do melhor jogador, o Adriano. Ele é o meu ídolo, ao lado de Stam (o holandês Jaap Stam, do Ajax) e de Ronaldinho”, disse à BBC Brasil Adrian Kömel, de 18 anos, líbero da equipe sub-19 do Königstein.

Já o zagueiro Johannes Naujack, também de 18 anos, disse que recebeu encomendas de primos e amigos para pelo menos oito autógrafos. Os dele, ele garantiu.

Kömel e os outros 53 jovens escalados para trabalhar como gandulas nos treinos da seleção foram selecionados por Klaus Sauer, o treinador das equipes juvenis do FCK.

O time não só forneceu os gandulas como cedeu o campo para o treinamento da Seleção. De acordo com Sauer, o negócio foi excelente para clube.

“Antes das reformas patrocinadas pela Prefeitura, tiraram uma foto de helicóptero do nosso campo e só se via uma estreita faixa de grama”, afirmou o técnico.

Frutos inesperados

Às vezes, o privilégio de catar bolas para a Seleção rende frutos inesperados. No treino de terça-feira, o felizardo foi Adrian Kömel – também o único a atuar em dois treinamentos dos brasileiros. Ele bateu um mini gol a gol com o goleiro reserva Rogério Ceni.

Na quarta-feira, de volta à beira do campo, Kömel não só conseguiu o autógrafo de Ceni, como tirou fotos e foi filmado pela equipe de cinema que acompanha a Seleção.

“Sortudo”, comentou Martin Böhmig, de 13 anos, o mais novo dos gandulas que atuaram no treino desta quarta-feira.

O menino diz que ficou feliz com os autógrafos conseguidos, mas admite uma certa decepção com os maiores ídolos da Seleção: Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Roberto Carlos, Kaká e Robinho.

“Todos saíram direto para o vestiário, ignorando a gente.”

Mas será que essa proximidade a alguns dos melhores jogadores em atividade no planeta ajuda os aspirantes a futebolistas?

“Eu vi alguns malabarismos e prestei atenção. Mas agora, só treinando muito para aprender”, disse o jovem meio-campista alemão.

Na quinta-feira, o treino da Seleção será realizado em outro campo, o do Offenbach Kickers, e será aberto pela primeira vez ao público desde a chegada do time à Alemanha.