06 de junho, 2006 - 10h48 GMT (07h48 Brasília)
Médicos anunciaram ter realizado o primeiro transplante bem-sucedido da Grã-Bretanha de um coração ainda batendo.
O receptor, de 58 anos, estaria passando "extremamente bem" desde a operação, feita há duas semanas no Hospital de Papworth, em Cambridge.
O médico Bruce Rosengard, chefe da equipe que fez o transplante, disse considerar a cirurgia um sucesso já que o coração está funcionando bem e não há sinais de rejeição pelo receptor.
A técnica consiste em manter o coração do doador quente e batendo ao longo da operação, em vez de fazê-lo parar de bater.
Mais transplantes
Nos transplantes convencionas, os médicos injetam uma alta dose de potássio para fazer o coração do doador parar e embalam o órgão em gelo, o que ajuda a mantê-lo em um estado conhecido como "animação suspensa".
Com esse método, porém, há apenas uma janela de quatro a seis horas para colocar o coração no receptor, o que pode ser um problema se o doador estiver em uma área remota - na Grã-Bretanha, por exemplo, muitos órgãos são transportados por terra.
No novo sistema, o coração é ligado a uma máquina que o mantém batendo com sangue aquecido e oxigenado correndo pelo órgão.
Isso permite que os médicos tenham tempo de examinar o coração, buscando potenciais problemas, e avaliem as chances de compatibilidade entre doador e receptor.
"Normalmente o coração está em animação suspensa mas ainda assim ele começa a se deteriorar. Uma vez que o órgão é ligado à máquina, o que leva cerca de 20 minutos, qualquer deterioração é completamente revertida."
Segundo Rosengard, o procedimento pode aumentar significativamente as possibilidades de transplantes.
"Se nós pensarmos em ressuscitar corações que atualmente são inutilizados, o número de transplantes pode ser triplicado ou quadruplicado", disse o médico.
Dessa forma, o coração também pode ser mantido fora do corpo por mais tempo e chega ao receptor em condições muito melhores.
A operação foi realizada como parte de um experimento europeu. Estão previstas mais 19 cirurgias na Alemanha e na Grã-Bretanha.
"O objetivo desse experimento é demonstrar que (o novo método) é pelo menos equivalente, se não superior", disse Rosengard.
"O próximo passo será examinar os corações que não suficientemente bom para o transporte - nós esperamos poder tornar mais corações utilizáveis."
O diretor da organização UK Transplant, Chris Rudge, disse acreditar que a técnica também possa ser utilizada para outros órgãos no futuro, especialmente em transplantes de fígado.