02 de junho, 2006 - 16h36 GMT (13h36 Brasília)
Márcia Bizzotto
de Bruxelas
Um grupo de 75 deputados europeus quer que a União Européia proíba o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de viajar a qualquer um dos 25 Estados membros do bloco europeu e que a Fifa o declare “persona non grata” na Copa da Alemanha.
As medidas seriam uma represália à postura de Ahmadinejad, que se recusa a interromper o programa nuclear iraniano, como exige a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e nega o Holocausto e o direito de existência de Israel, segundo explicou a deputada checa Jana Hybaskova (Partido Popular), uma das promotoras da iniciativa.
“A visita de Ahmadinejad à Europa enviaria um sinal equivocado à comunidade internacional e européia, em particular aos que estão oprimidos no Irã”, diz uma carta aberta assinada na última quinta-feira pelos parlamentares, de distintos partidos políticos europeus, e enviada à presidência rotativa da UE (em mãos austríacas), à Fifa e aos govenos nacionais.
“Não queremos uma solução a curto prazo. O que queremos é que o Conselho Europeu trate o assunto como tratou no caso de Lukashenko”, afirmou Hybaskova.
Alexander Lukashenko, presidente de Belarus, foi proibido de viajar aos países da União Européia depois das eleições presidenciais que o reelegeram em março passado, consideradas irregulares pela comunidade internacional. A punição foi estendida a outros 30 detentores de altos cargos da ex-república soviética.
Copa da Alemanha
Uma proibição de viagem à UE só pode ser declarada pelo Conselho Europeu de Ministros. Os parlamentares sabem que a possibilidade de que isso aconteça é remota, já que qualquer medida punitiva poderia abalar as já sensíveis negociações sobre o programa nuclear iraniano.
“Ahmadinejad pode ir à Copa, mas deve saber que não é benvindo aqui”, disse a deputada.
Durante a Copa, todos os chefes de governo e de Estado de países que participam do campeonato têm o direito de assistir ao Mundial sem a necessidade de um visto.
O ministério de Interior alemão já garantiu ao Irã que os exilados deste país na Europa não poderão realizar protestos durante a Copa, “o que soa como um convite não oficial a Ahmadinejad”, afirmou o deputado socialista português Paulo Casaca.
O presidente iraniano é um amante declarado do futebol e manifestou repetidas vezes que pretende ir à Alemanha torcer por sua seleção.
Entretanto, a viagem não está confirmada oficialmente. A deputada Hybaskova disse que recebeu um telefonema da embaixada do Irã em Bruxelas afirmando que Ahmadinejad “não tem intenção de viajar à Europa neste verão”.