26 de maio, 2006 - 14h39 GMT (11h39 Brasília)
A Copa do Mundo voltou a América do Sul depois de 16 anos em 1978 e ao continente não retornaria desde então. A Argentina organizou a festa para si mesma, pois conquistaria o seu primeiro título. O Brasil, renovado, saiu como “campeão moral”.
Pela segunda vez seguida, a terceira nos nos últimos quatro torneios, o país-sede levantava a taça. Em meio à ditadura militar do general Videla, a Copa e o título inflaram o nacionalismo argentino.
Para o Mundial de 78, o técnico Cláudio Coutinho, capitão militar da reserva e supervisor da delegação brasileira na Copa de 70, renovou o elenco e as táticas da Seleção.
Para a desconfiança da torcida, as novas jogadas brasileiras ganharam nomes como “ponto-futuro” e “overlaping”. Coutinho recheara a sua convocação com jovens talentos: Cerezo, Edinho, Amaral, Oscar, Batista, Dinamite, Zico, Reinado, Jorge Mendonça.
Polêmica
A Seleção de Coutinho não convenceu no Mundial. Depois de uma campanha de altos e baixos nas eliminatórias, o Brasil estreou na Copa com um empate de 1 a 1 contra a Suécia. Em seguida, empatou também com a Espanha.
Coutinho mudou o time. Tirou Zico e Reinaldo e pôs Roberto Dinamite e Jorge Mendonça. O Brasil venceu a Áustria por 1 a 0, gol de Dinamite, e se classificou para a segunda etapa.
Os argentinos e brasileiros se encontraram nas quartas-de-final. Eles formavam um grupo composto também por Peru e Polônia. A Argentina perdera para a Itália na primeira fase e, por isso, caíra junto do Brasil.
Na primeira rodada, a Seleção apresentou um futebol melhor do que na fase anterior e venceu o Peru por 3 a 0. A Argentina bateu a Polônia por 2 a 0.
Os tricampeões e os donos da casa se enfrentaram no pequeno estádio do Rosário Central. A partida, ruim, decepcionou. Os dois times empataram em 0 a 0, e a decisão para ver qual deles iria à final ficou para a última rodada do grupo.
Em 21 de julho, antes da partida da Argentina, o Brasil superou a Polônia por 3 a 1, com um futebol criativo.
Para os brasileiros perderem a vaga, os argentinos precisariam ganhar do Peru por quatro gols de diferença. Venceram por 6 a 0, sem enfrentar resistência peruana e eliminaram a Seleção.
O Brasil acusou o Peru de ter entregue a partida e protestou, sem efeito, junto à Fifa. Na disputa pelo terceiro lugar, venceu a Itália por 2 a 1. Coutinho estatuiu o Brasil, invicto na competição, como o “campeão moral”.
Na final, os argentinos enfrentaram uma Holanda sem o mesmo poder de quatro anos antes. Johan Cruyff se negara a ir à Argentina em protesto contra a ditadura militar do país. Na prorrogação, os donos da casa venceram por 3 a 1.
Grupo 1
Argentina 2 x 1 Hungria
Itália 2 x 1 França
Argentina 2 x 1 França
Itália 3 x 1 Hungria
Itália 1 x 0 Argentina
França 3 x 1 Hungria
Grupo 2
Alemanha Ocidental 0 x 0 Polônia
Tunísia 3 x 1 México
Alemanha Ocidental 6 x 0 México
Polônia 1 x 0 Tunísia
Alemanha Ocidental 0 x 0 Tunísia
Polônia 3 x 1 México
Grupo 3
Áustria 2 x 1 Espanha
Suécia 1 x 1 Brasil
Áustria 1 x 0 Suécia
Brasil 0 x 0 Espanha
Espanha 1 x 0 Suécia
Brasil 1 x 0 Áustria
Grupo 4
Peru 3 x 1 Escócia
Holanda 3 x 0 Irã
Escócia 1 x 1 Irã
Holanda 0 x 0 Peru
Peru 4 x 1 Irã
Escócia 3 x 2 Holanda
Fase final
Grupo A
Alemanha Ocidental 0 x 0 Itália
Holanda 5 x 1 Áustria
Itália 1 x 0 Áustria
Alemanha Ocidental 2 x 2 Holanda
Holanda 2 x 1 Itália
Áustria 3 x 2 Alemanha Ocidental
Grupo B
Brasil 3 x 0 Peru
Argentina 2 x 0 Polônia
Polônia 1 x 0 Peru
Argentina 0 x 0 Brasil
Brasil 3 x 1 Polônia
Argentina 6 x 0 Peru
Disputa pelo terceiro lugar
Brasil 2 x 1 Itália
Final
Argentina 3 x 1 Holanda