31 de maio, 2006 - 03h40 GMT (00h40 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial à Basiléia (Suíça)
A Seleção Brasileira que se prepara para a Copa do Mundo vestiu uniforme oficial e deu status de pré-estréia ao amistoso contra o FC Lucerna, mas a goleada por 8 a 0 transformou a partida desta terça-feira em um treino de rotina para as estrelas da equipe.
Ao final da partida, o próprio técnico Carlos Alberto Parreira descreveu o amistoso como um “treino-jogo”, mas disse que, apesar do nível técnico bem inferior do adversário, os brasileiros tiveram a oportunidade de sentir um pouco do clima da Copa.
“Depois de praticamente oito meses, foi a primeira vez que eles jogaram uma partida (juntos), com a presença de público, televisão, a camisa amarelinha”, afirmou o treinador. “Nós aproveitamos bem o treino, mas é evidente que nossa qualidade fez com que o jogo se tornasse fácil.”
Em termos de preparação para o Mundial, no entanto, as observações de Parreira sobre a atuação da Seleção no amistoso não acrescentaram praticamente nada àquilo que o técnico já havia mencionado nos treinamentos anteriores da equipe na Suíça.
Parreira avaliou o desempenho da equipe como “de regular para bom” e reafirmou que a Seleção ainda tem ajustes a fazer.
“É evidente que, para a Copa do Mundo, a gente ainda tem que melhorar alguma coisa: a coordenação, o poder de marcação, aproveitar melhor as bolas paradas”, disse. “Nós estamos no oitavo dia de preparação. É muito pouco tempo para que a gente possa exigir uma equipe perfeita em campo. Isso só virá com o tempo.”
Kaká
Parreira citou a saída em velocidade para os contra-ataques como um dos aspectos positivos da Seleção na partida desta terça.
Um dos responsáveis pelas arrancadas da equipe foi o meia Kaká, que se destacou pela seriedade e eficiência nos passes durante o amistoso.
Boa parte das oportunidades de gol do Brasil saíram dos ataques rápidos comandados por Kaká.
Presença constante nas jogadas de ataque e cada vez mais solidário no trabalho de marcação no meio-campo, Kaká diz que não vê problema em ter obrigações defensivas e ser menos badalado do que seus companheiros no quarteto ofensivo da Seleção.
“Isso não me incomoda, porque são vaidades. Esse é um grupo de Seleção, que só pensa na Copa. Sei da minha responsabilidade na Seleção”, afirmou o meia. “Eu, o Ronaldinho e um dos atacantes temos de ajudar. Não precisa ser os dois atacantes, pelo menos um, não podemos deixar a zaga exposta. Todos sabem disso.”
Parreira evitou fazer comentários sobre as atuações individuais dos jogadores. O técnico se limitou a dizer que todos cumpriram suas funções e destacou apenas o fato de o rendimento da equipe não ter caído mesmo com sete substituições.
“A gente não mudou a maneira de jogar, a filosofia continuou a mesma”, comentou o treinador. “Isso mostra que nós não temos só 11 jogadores. Nós temos um elenco forte, com muitas alternativas, o que é ótimo.”
Lúcio
Diante da fragilidade do adversário no amistoso desta terça, a defesa brasileira foi pouco acionada e não teve como mostrar se conseguiu corrigir os problemas de posicionamento observados por Parreira nos treinos anteriores.
O domínio da equipe durante a partida foi tão grande que o zagueiro Lúcio, pouco exigido pelos atacantes do FC Lucerna, encontrou espaço para subir ao ataque em diversas ocasiões.
“Na Seleção Brasileira, meu principal objetivo é procurar sempre defender bem”, afirmou Lúcio, autor de um dos gols desta terça. “Mas é claro que, se surgir oportunidade, como homem-surpresa, posso ajudar o ataque.”
Apesar da formação ofensiva da equipe do Brasil, o zagueiro recebeu o apoio de Parreira para suas investidas ao ataque.
“Um homem que vem de trás é sempre um elemento surpresa e cria dificuldade para a defesa adversária”, disse o treinador. “O Lúcio sabe fazer isso, gosta de fazer e, toda vez que tiver chance, ele vai ter oportunidade de realizar essa jogada.”
O próprio Parreira reconhece, no entanto, que a intensidade de um jogo de Copa do Mundo é muito maior do que em um amistoso.
Nos próximos dias, a Seleção Brasileira dá seqüência à preparação para o Mundial com a realização de novos treinamentos na cidade de Weggis, na Suíça.
O último amistoso do Brasil antes da estréia na Copa será no próximo domingo, contra a Nova Zelândia, em Genebra. No dia 13, a Seleção inicia sua participação no Mundial diante da Croácia, em Berlim.
Brasil 8 x 0 Combinado FC Lucerna
Estádio St. Jakobs, Basiléia (Suíça)
Brasil: Dida; Cafu (Cicinho), Lúcio, Juan e Roberto Carlos (Gilberto); Emerson (Gilberto Silva), Zé Roberto (Edmílson), Kaká (Juninho) e Ronaldinho (Ricardinho); Adriano e Ronaldo (Robinho). Técnico: Carlos Alberto Parreira
Combinado FC Lucerna: Zibung (Greco); Lambert, Meyer (Bader), Dal Santo (Nordine) e Diethelm; Andreoli (Malige), Mehmeti, Schwegles (De Napoli) e Righetti (Makuka); Tchouga (Ratinho) e N'Tiamoah. Técnico: Thomas Wyss
Gols: Kaká, Adriano (2), Ronaldo (2), Lúcio, Juninho, Robinho