Thaíza Castilho
de Díli
O medo chega mais perto do centro da capital do Timor Leste, Díli, neste domingo, com tiros podendo ser ouvidos bem perto do bairro central, onde estão concentrados os bancos BNU e Mandiri e o hotel onde está hospedada a maioria dos jornalistas.
Mais de 50 mil pessoas estão refugiadas em abrigos comunitários e igrejas, incluindo alguns membros do governo.
Domingos de Souza, Secretário-Geral da Educação de Timor-Leste e Manuela Gusmão, irmã do presidente, Xanana Gusmão, estão na catedral junto com outras dezenas famílias que continuam na dependência de alimentos levados por ONGs e voluntários.
Hoje a Austrália começou a oferecer passagens gratuitas até Darwin, para toda a comunidade internacional que não se sente segura na cidade.
Fogo
A missionária brasileira Elisângela Oliveira, 29 anos, que não está ligada nenhuma missão oficial do governo brasileiro, embarcou hoje junto com o marido e filho Leonardo, de 3 anos.
"Não aguento mais a situação, não desejo à ninguém o que passei esses dias. Meu filho disse para o vizinho: a polícia quer matar a gente", contou assustada a missionária já no aeroporto Nicolau Lobato.
A Embaixada do Brasil mandou outra notificação para os brasileiros evitarem deslocamentos na cidade devido aos focos de violência, mas o embaixador disse que ainda não haverá transporte dos brasileiros para fora do país.
Os helicópteros australianos circulam constantemente no céu da capital e tanques agora passam a toda a velocidade seguidos de vários caminhões repletos de militares.
Casas continuam a ser queimadas ao redor da cidade, como uma oficina que abrigava 15 veículos, botijões de gás e outros materiais inflamáveis.
Atualmente, é comum em Díli a visão de grupos de jovens carregando catanas, os facões típicos do país.