28 de maio, 2006 - 06h44 GMT (03h44 Brasília)
O ministro das Relações Exteriores do Timor Leste, José Ramos Horta, acusou o governo de ser o culpado pela violência no país.
Em entrevista à BBC, o chanceler timorense disse que o governo não deu uma resposta imediata ao ser alertado sobre os problemas com o Exército e a polícia.
Em março, 600 soldados, que se diziam discriminados, foram demitidos do Exército após terem feito uma greve. A demissão desencadeou uma série de confrontos entre militares e policiais e, nos últimos dias, grupos civis tomaram as ruas da capital Díli, queimando casas e carros. Ao longo desta semana, 20 pessoas morreram.
Na avaliação de Horta, o governo deveria ter ouvido as reivindicações dos soldados, evitando que o país chegasse quase ao ponto de uma guerra civil.
"Em situações como essa, em que houve um fracasso na liderança, normalmente as pessoas deixam os seus cargos à disposição. Vamos ver o que acontece nos próximos dias ou semanas", comentou.
"Minha principal preocupação é estabelecer uma ponte de diálogo entre meu primeiro-ministro, o presidente, mas também com esses rebeldes."
O ministro também disse que o Timor Leste precisa de uma "ajuda internacional substancial" para restaurar a ordem no país.
Neste fim de semana, a Austrália anunciou que vai enviar mais soldados para Díli.
Com o reforço, a Austrália passa a contar com 1,8 mil soldados no Timor Leste - maior do que seu contingente no Iraque, onde mantém 1,3 mil soldados.
A Nova Zelândia, Portugal e Malásia também vão enviar tropas para o país.