25 de maio, 2006 - 20h46 GMT (17h46 Brasília)
Diego Toledo
enviado especial a Weggis (Suíça)
Depois do segundo dia de treinos da Seleção Brasileira em Weggis, na Suíça, o técnico Carlos Alberto Parreira, normalmente contido e preocupado com o favoritismo da equipe que dirige, deu sinais de que está relaxado e se relevou bastante confiante.
Um dos momentos que evidenciou a confiança de Parreira nas chances da equipe brasileira na Copa do Mundo foi o trecho da entrevista coletiva desta quinta-feira em que o treinador demonstrou que, antes mesmo da estréia no Mundial, já pensa na segunda fase do torneio.
O treinador disse que o objetivo da Seleção é chegar ao final dos três jogos da primeira fase como líder do grupo e que os brasileiros têm que estar preparados para a etapa decisiva do Mundial, seja qual for o adversário.
“O jogo de oitavas é um jogo complicado. Você sai de uma fase em que pode até perder e continuar. A partir das oitavas, perdeu, está fora”, acrescentou Parreira. “Então, o jogo de maior responsabilidade, para mim, é o jogo das oitavas.”
Se, de fato, o Brasil confirmar o favoritismo e se classificar para as oitavas-de-final, a Seleção terá pela frente um confronto contra uma das equipes do grupo E, formado por Itália, Gana, Estados Unidos e República Checa.
Final no limite
Na coletiva desta quinta, o treinador elogiou as equipes de Croácia e Japão, adversários do Brasil na primeira fase, mas disse que a Seleção não vai estrear com força total na Copa porque espera desenvolver seu potencial ao longo do torneio.
“(A equipe) não vai começar no seu melhor desempenho, e não é para começar”, disse Parreira. “É para crescer ao longo da competição, chegar na final no limite, o melhor que a gente puder.”
Para chegar à decisão, o Brasil terá de passar antes por seis partidas. Na opinião do técnico da Seleção, o sucesso no Mundial depende da capacidade da equipe de evoluir durante a Copa.
“A gente espera que, com o trabalho que foi feito agora e com a base que foi dada, ela cresça durante a competição. E tem que crescer porque, senão, não leva o título”, acrescentou Parreira, que revelou esperar o auge da Seleção a partir do terceiro jogo.
Como em 70
Em outro trecho da entrevista, o técnico da Seleção comparou a utilização do quarteto de ataque formado por Kaká, Ronaldinho, Adriano e Ronaldo à estratégia utilizada pela equipe brasileira em 1970 para juntar no mesmo time craques como Pelé, Tostão e Rivellino.
Ao citar uma das maiores equipes da história do futebol mundial, Parreira respondia a uma pergunta sobre o posicionamento de Kaká, que não atua na Seleção na mesma posição em que joga no seu clube, o Milan.
“Em 70, o Rivellino era um meia e jogou na ponta-esquerda. O Tostão, que era um homem de meio, jogou de ponta-de-lança. O Piazza, que era meio-campo, jogou de zagueiro. E o Brasil foi campeão do mundo”, lembrou Parreira.
“A situação é exatamente igual, e todos estão muito felizes”, concluiu o treinador.
Como de costume, o coordenador técnico da Seleção Brasileira, Mário Jorge Lobo Zagallo, que era o treinador da equipe de 70, acompanhou Parreira na coletiva.
Questionado sobre a possibilidade de Ronaldinho Gaúcho chegar ao nível de mitos do futebol como Pelé e Maradona, Zagallo evitou comparar o astro do Barcelona com os maiores jogadores de todos os tempos.
“O Ronaldinho hoje está fazendo aquilo que o torcedor gosta. Ele joga bem, está fazendo gols e dá show”, disse.
“Agora, fazer comparações é difícil. Cada um tem a sua época. Já teve a época do Romário, já teve a época do Ronaldo, já teve a época do Pelé, agora é a época do Ronaldinho Gaúcho”, arrematou Zagallo.