22 de maio, 2006 - 08h39 GMT (05h39 Brasília)
O jornal espanhol El País desta segunda-feira traz uma reportagem que relata o dia-a-dia violento de São Paulo, com o título "Vivendo na capital do medo".
O texto afirma que "a situação na cidade chegou a tal extremo que milhares de brasileiros fizeram manifestações ontem nas principais cidades do país para protestar contra a violência desencadeada em São Paulo".
O texto traz entrevistas com moradores que já viveram experiências como seqüestros e assaltos sob mira de metralhadoras. De acordo com a reportagem, muitos paulistanos desenvolveram hábitos preventivos, como o de carregar uma segunda carteira, contendo pouco dinheiro e documentos velhos, não parar no sinal vermelho e não contar detalhes sobre a vida pessoal nem para os vizinhos, uma vez que "muitos seqüestros contam com a participação de algum conhecido".
O jornal contrasta as declarações do comandante da Polícia Militar de São Paulo, Elizeu Eclair Teixeira Borges, com dados relativos à violência. O jornal cita a afirmação de Borges de que não houve aumento da violência, mas sim uma mudança na divulgação de informações por parte da imprensa.
Mas o diário refuta a afirmação, ao dizer que "as cifras apontam que o medo entre a população tem uma base concreta". Segundo o El País, a maior parte das mortes em São Paulo são provocadas por armas de fogo e o número de seqüestros na cidade é de 90 por mês.
Os últimos meses de Blair
O britânico Daily Telegraph traz editorial no qual afirma que o governo do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, é um "regime trôpego" que está vivendo "seus últimos meses".
De acordo com o jornal, Blair deveria ter dado ouvido aos conselhos e abdicado do mandato quando conquistou sua terceira vitória eleitoral. Naquela fase, argumenta o jornal, o premiê poderia ter se retirado como "um político que marcou época, um estadista mundial e quase um mágico vencedor de eleições".
Agora, afirma o Telegraph, é "quase supérfluo" listar os fracassos do governo trabalhista, que incluem "a incapacidade de deportar criminosos estrangeiros, o colapso do programa de aposentadoria e a rendição ao orçamento da União Européia".
O jornal conclui o texto afirmando que os eleitores estão "contando as horas e que as coisas só podem piorar".
Retirada do Iraque
Em editorial, o diário britânico The Times afirma que as tropas estrangeiras presentes no Iraque "não devem ser prematuramente retiradas" do país.
De acordo com o jornal, uma retirada antes da hora certa poderá ocorrer se as diferentes facções em briga no país "tentarem buscar popularidade através de um posicionamento contra a presença da coalizão internacional" no Iraque.
O Times comenta que discutir a retirada de tropas do Iraque no momento em o novo governodo país acaba de ser aprovado pelo Parlamento poderia estimular a insurgência.