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17 de maio, 2006 - 17h30 GMT (14h30 Brasília)

Caroline Briggs

Código Da Vinci no cinema não faz juz ao livro

O Código Da Vinci, que estreou no festival de cinema de Cannes na quarta-feira, deixou os fãs do best seller de Dan Brown a desejar e não fez juz ao badalado livro.

Quando o curador do Museu do Louvre, em Paris, é encontrado morto em meio a vários símbolos e pistas escritos com o próprio sangue, o professor Robert Langdon (Tom Hanks), é convocado para ajudar a decifrar o mistério.

Mas o brilhante simbologista de Harvard é alertado pela criptologista da polícia francesa Sophie Neveu (Audrey Tatou) – a neta da vítima – que sua própria vida está em perigo.

Veja fotos da estréia em Cannes

A dupla então embarca em uma aventura que passa por Paris, Londres e Escócia, na tentativa de decifrar o código, encontrar o cálice sagrado e descobrir uma enorme conspiração religiosa.

Com cenário belíssimo, que inclui o próprio Louvre, a Igreja dos Templários e a Abadia de Westminster, o filme é visualmente lindo.

E com apenas algumas alterações em relação ao livro, os fãs de Dan Brown vão ficar aliviados em saber que o diretor Ron Howard se manteve basicamente fiel ao best seller.

O diretor manteve a trama central: de que Jesus Cristo se casou com Maria Madalena e teve filhos, cujos descendentes ainda estariam vivos e, assim como no livro, o grupo católico conservador Opus Dei é mostrado como uma organização assassina e com sede de poder.

Mas Howard, que ganhou um Oscar por Uma mente brilhante, enfrentou um duro desafio ao traduzir a narrativa de Brown para as telas. E sua paixão por flashbacks e outros recursos para contar a história não funcionam.

Obviedades

Eles são muito obviamente usados para amalgamar o filme de duas horas e meia, cujo roteiro pode se mostrar confuso para quem não leu o livro.

Um dos trunfos do livro é o modo como ele permite aos leitores desvendar as pistas antes dos protagonistas Langdon e Neveu, criando certa satisfação.

O filme não permite a mesma satisfação, já que os mistérios são descobertos junto com os protagonistas.

Para os que estão familiarizados com o livro, o filme apresenta seus próprios problemas: enquanto a trama funciona bem nas páginas, nas telas ela parece longa e arrastada.

O roteirista Akiva Goldsman produziu um roteiro truncado em algumas partes e irritante em outras.

Enquanto o resto do elenco atua de forma competente, Hanks está fraco como Langdon e o corte de cabelo merece um crédito próprio.

Tatou confere certo charme gaulês ao filme, mas sua atuação ainda está longe de Amelie, que a transformou em sensação em 2001.

Paul Bettany, como o ameaçador monge albino Silas, colabora com boas cenas de auto-flagelo e assassinatos.

Juntos, McKellen e Bettany evitam que o filme de US$ 125 milhões seja um desastre de crítica, mas a verdade é que o sucesso do livro – que vendeu 50 milhões de cópias no mundo todo – vai garantir que a produção não seja um fiasco comercial.