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16 de maio, 2006 - 12h22 GMT (09h22 Brasília)

China mantém silêncio nos 40 anos da Revolução Cultural

Os 40 anos da Revolução Cultural foram marcados nesta terça-feira pela ausência de notícias e comentários sobre o assunto nos meios de comunicação da China.

O assunto foi proibido pelas autoridades do país.

No dia 16 de maio de 1966, o líder máximo do país, Mao Tse-Tung, lançou um apelo aos jovens chineses para derrubarem a liderança do Partido Comunista do país.

Segundo ele, "representantes da burguesia" haviam se infiltrado no partido e pretendiam estabelecer uma ditadura.

O movimento profocou profundas divisões na sociedade chinesa e, de acordo com o correspondente da BBC em Pequim, Rupert Wingfield-Hayes, ainda assombra o país.

Guarda Vermelha

O chamamento de Mao atraiu milhões de jovens radicais que acabaram conhecidos em todo o mundo como a Guarda Vermelha.

A iniciativa criou caos no país. Centenas de milhares morreram, milhões de pessoas foram torturadas e boa parte da herança cultural da China acabou arruinada.

No final de 1968, a revolução deixou a China à beira da guerra civil.

Até hoje ainda há um debate sobre o que motivou Mao a lançar a Revolução Cultural.

Na época ela foi encarada por muitos como uma enorme experiência social - uma tentativa de destruir a antiga sociedade chinesa e construir uma nova sobre os escombros.

Mas muitos pesquisadores acreditam atualmente que Mao usou a Revolução Cultural para destruir os seus rivais dentro do Partido Comunista e para firmar seu poder supremo sobre a China.

Se de fato era isso, ele teve sucesso em sua empreitada mas a um enorme custo para o país.

Em 1968, para pôr fim à violência, Mao ordenou a dissolução da Guarda Vermelha.

Milhares de jovens chineses foram enviados para a zona rural para aprender com camponeses.

O seu exílio durou dez anos ou mais, e alguns deles estão no campo até hoje.