11 de maio, 2006 - 00h58 GMT (21h58 Brasília)
Barry Bonds hoje é o famoso mais infame dos Estados Unidos. Milhões de americanos torcem contra ele porque a qualquer momento vai quebrar o recorde de Babe Ruth de 714 home runs.
Bonds será o segundo maior batedor de home runs no baseball americano.
Um home run é uma tacada não só fora do alcance dos adversários mas do próprio perímetro do jogo. Indefensável. Vale pelo menos um ponto.
A comparação com o futebol não é perfeita mas é como se fosse um gol. Estatisticamente o home run é mais difícil.
Pelé, por exemplo, em 18 anos de carreira marcou 1.200 gols enquanto o recordista americano no baseball, Hank Aaron, tem 755 gols em 22 anos.
Barry Bonds tem 41 anos de idade e só ano passado teve três cirurgias no joelho direito. Joga no San Francisco Giants e, fora de casa, nesta véspera de ser recordista, Bonds é recebido com vaias monumentais e cartazes com o número 715 *.
O asterisco questiona a validade do mérito de Bonds porque ele é acusado de ter usado esteróides embora os testes jamais tenham confirmado o uso da droga.
Esteróide não é o único problema de Bonds. Ele trata a imprensa com desprezo e não dá bola para os fãs. É um recordista de antipatias.
Babe Ruth
Barry Bonds é negro. Babe Ruth, detentor do recorde de segundo colocado, era branco e não era um modelo de atleta. Bebia demais, comia uma dúzia de cachorros quentes de uma vez e vivia em bordéis mas parecia uma criança aloprada e foi o atleta mais querido do país do período pré-televisão.
Na época dele os negros não podiam jogar nas ligas dos brancos e até os "babistas" mais fanáticos discutem se ele hoje teria condições de competir contra os atletas negros, latinos e asiáticos que dominam o baseball.
Nunca neste país se torceu tanto contra um atleta como se torce contra Bonds e não é nem porque ele vai conquistar o primeiro lugar que pertence a Hank Aaron com seus 755 "gols". Hank era negro.
Na paixão do esporte é difícil distinguir se as vaias são contra a cor ou contra o esteróide mas a tacada recordista de Barry Bonds é inevitável .