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11 de maio, 2006 - 15h57 GMT (12h57 Brasília)

Carolina Glycério
enviada especial a Viena

Divisão latina 'pode impedir avanços em Viena'

A América Latina chega à cúpula com a União Européia, que começou nesta quinta-feira na Áustria, dividida por crises internas que, segundo analistas, podem comprometer avanços nas relações comerciais com o bloco europeu.

"Esta deveria ser uma cúpula para promover o livre comércio, mas a região vive uma volta do nacionalismo", afirma o especialista em Mercosul da London School of Economics, Francisco Panizza, referindo-se aos governos de Hugo Chávez, na Venezuela, e Evo Morales, na Bolívia.

Para o analista, a nacionalização do gás por Morales, a crise entre Uruguai e Argentina no Mercosul e a saída da Venezuela da Comunidade Andina de Nações expõem as divisões da América Latina e impedem a região de se colocar aos europeus "com uma única voz".

"Se você é espanhol, não vai estar muito feliz com o que está acontecendo na Bolívia", diz Panizza, referindo-se à nacionalização dos ativos da petrolífera espanhola Repsol no país.

Mercosul

Fragmentados em subregiões e blocos comerciais, os 33 países da América Latina nunca tiveram uma relação simétrica com os 25 países que formam a União Européia, cuja integração – inclusive política – é muito mais forte.

Como o próprio secretário de Relações Exteriores da Áustria, Hans Winkler, notou, a América Latina é muito mais “heterogênea” do que a Europa.

Mas o momento atual é especialmente delicado, na avaliação de Panizza e outros analistas.

O professor da LSE destaca a crise no Mercosul, que enfrenta "todo tipo de problema", desde protecionismo entre os países membros (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) até o risco de desintegração com a ameaça do Uruguai de deixar o bloco.

"O Mercosul esta completamente fraturado", avalia o especialista.

Para o economista-chefe da consultoria Anchorage Capital Partners, Pedro de Souza Leão Regina, do ponto de vista dos investidores, o Mercosul já não existe mais.

"O Mercosul é apenas para políticos. Para o empresariado, não serve (como referência)."

Panizza ressalta, no entanto, que a União Européia também tem as suas divergências internas e que o principal entrave às negociações comerciais com os blocos continua sendo "falta de vontade política" de fazer concessões no sentido de abrir seus mercados para os países em desenvolvimento.