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02 de maio, 2006 - 13h26 GMT (10h26 Brasília)

Emma Jane Kirby
de Paris

França debate 'regras mais duras' para imigrantes

O Parlamento francês discute nesta terça-feira um projeto de lei que torna mais difícil a estrangeiros trabalhar no país.

As propostas foram elaboradas pelo ministro do Interior da França, Nicolas Sarkozy. Entre as novas propostas, estão que estrangeiros sejam obrigados a aprender a língua francesa e ter conhecimentos sobre a cultura do país.

As medidas também dão preferência a trabalhadores altamente qualificados, em detrimento de mão-de-obra sem especialização.

O projeto de lei também restringe vistos de residência e põe fim à concessão automática de vistos de residência para a família de imigrantes que vivem na França há mais de dez anos.

'Contra o racismo'

Sarkozy afirma que suas medidas são justas e visam tranqüilizar a sociedade francesa quanto a preocupações relativas ao fluxo de imigrantes para o país.

O ministro do Interior disse ver o projeto de lei como uma "salvaguarda contra o racismo".

Organizações religiosas criticaram as medidas anunciadas, argumentando que elas discriminam os pobres e são "anticristãs".

Stephane Julian, um padre católico que trabalha com imigrantes, afirmou que "seres humanos são mais do que apenas aquilo que podem produzir pela economia e pela sociedade".

"Apresentar uma lei que torna ainda mais difícil o que já é difícil, é inaceitável", acrescentou.

No final de semana, cerca de 5 mil pessoas foram às ruas para protestar contra o projeto e exigir que o governo faça concessões.

A oposição argumenta que, ao apresentar a lei, Sarkozy está tentando atrair eleitores de extrema-direita.

O ministro contesta tais afirmações, alegando que o projeto iria melhorar as relações raciais na França.