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02 de maio, 2006 - 16h08 GMT (13h08 Brasília)

Caio Blinder
de Nova York

Fim da marcha para ilegais ainda está distante nos EUA

Os imigrantes ilegais nos EUA novamente trabalharam com afinco para serem ouvidos.

Eles marcaram na segunda-feira, 1º de Maio, sua presença, tanto com ausência no trabalho, num dia em que não é feriado no país, como em marchas realizadas em dezenas de cidades.

Eles também deixaram de ir às compras para demonstrar sua contribuição para a maior economia do mundo.

Com as iniciativas, uma massa normalmente invisível confirmou ser uma nova força política que exige mudanças na lei de imigração para abrir caminho à cidadania para milhões de ilegais, na grande maioria de origem latino-americana.

O recado político era mais do que sonoro nas marchas de segunda-feira com o slogan "ahora marchamos, manãna votamos".

Legalização

Tamanha e surpreendente mobilização começou como uma reação à legislação aprovada no começo do ano pela Câmara dos Deputados que converte os imigrantes ilegais em criminosos e se transformou em um típico bloco de pressão americano para que haja um compromisso entre projetos de lei circulando no Senado e as medidas passadas na Câmara com vistas a algum tipo de legalização dos não-documentados.

Os caminhos da mobilização, porém, agora são mais tortuosos. O problema é que esta nova prova de força muito provavelmente não irá impressionar os criticos dos imigrantes ilegais, que se concentram muito mais nos custos do que nos benefícios que eles representam.

E custos para os críticos vão além do debate interminável sobre "roubo" de empregos pelos ilegais e a carga nos serviços sociais ou escolas que eles significam.

Há também a advertência sobre os riscos ao próprio conceito de identidade nacional, o que ficou claro na controvérsia dos últimos dias com a divulgação em rádios "hispânicas" de uma versão em espanhol do hino americano.

Divisão

Os caminhos pelos direitos dos ilegais estão mais tortuosos e existem as encruzilhadas. O próprio movimento está dividido.

Não existe unanimidade sobre as táticas que devem ser adotadas. Alguns setores pregam ações mais radicais como o boicote econômico para deixar claro como os ilegais são vitais para a vida americana, enquanto outros temem que o ativismo possa gerar mais oposição à causa.

São dilemas típicos em movimentos sociais e políticos. Marcaram, por exemplo, as marchas pelos direitos civis nos tempos de Martin Luther King.

Em termos bem imediatos, o preço político da controvérsia sobre o movimento dos imigrantes ilegais ainda precisa ser determinado.

Por ora, as propostas de reforma da imigração estão atoladas no Senado.

O presidente George W. Bush (com cada vez menos força política) pressiona suavemente o Congresso a aprovar uma lei de compromisso, mas os senadores não chegam a acordo entre eles, enquanto a legislação que passou na Câmara é muito draconiana.

O fato concreto é que imigração compartilha neste momento o estrelato com a raiva dos eleitores com os crescentes preços da gasolina.

Para a classe política, são duas tremendas dores de cabeça e como de hábito a preferência é por um paliativo para aliviar o sofrimento e não por remédios duradouros.

Para os imigrantes ilegais, o fim da marcha está distante. Basta lembrar que o presidente Lyndon Johnson assinou o Ato dos Direitos Civis em 1964, apenas nove anos depois que, para protestar contra a segregação racial, Rosa Parks sentou na frente de um ônibus em Montgomery, Alabama.

Um slogan mais realista para os ilegais e seus partidários seria "agora marchamos, um dia votaremos".