21 de abril, 2006 - 18h13 GMT (15h13 Brasília)
Denize Bacoccina
de Washington
O economista-chefe para a América Latina do Fundo Monetário Internacional, Anoop Singh, disse que o real não está sobrevalorizado. A prova, segundo ele, é que as exportações continuam crescendo.
“A exportação continua a crescer em dois dígitos, e não somente as commodities que tiveram valorização no mercado internacional, mas em todos os setores”, afirmou Singh numa entrevista coletiva em Washington, nesta sexta-feira, na véspera da reunião de primavera do FMI, em resposta a uma pergunta sobre o que o país deveria fazer em relação à sobrevalorização da moeda brasileira. “Não concordo com esta afirmação”, disse ele.
Ele disse que o Brasil conseguiu, nos últimos anos, construir uma capacidade de exportação que “excedeu o que se pensava que seria possível há cinco anos”.
Na avaliação dele, a recuperação do real está ligada à recuperação da economia, depois da crise de 2002. “À medida em que outros setores se recuperaram da crise, o real também se recuperou. Não é só uma questão de taxa de câmbio, mas de competitividade da economia, que vem aumentando”, afirmou.
'Bom histórico'
Singh também disse que não está preocupado com a possibilidade de aumento de gastos públicos, mesmo em ano eleitoral. “O Brasil tem um bom histórico de superávit fiscal e nesta semana isso foi reafirmado quando o governo mandou a Lei de Diretrizes Orçamentárias para o Congresso”, afirmou.
O economista responsável pelo Brasil, Charles Collin, disse que o FMI “apóia totalmente” o aumento de gastos públicos em programas como o Bolsa Família. “Eles são instrumentais para reduzir a pobreza, mas haverá necessidade mais à frente de discutir reformas mais fundamentais, como nos gastos carimbados”, disse ele.
O FMI fez uma avaliação otimista para a economia da América Latina neste e no próximo ano. O crescimento como um todo será de 4,3%, com expansão em todos os países do hemisfério.
A projeção, para o Brasil, é de 3,5%, um dos mais baixos, superior apenas ao previsto para o Equador (3%), Belize (2,7%) e Haiti (2,5%).