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20 de abril, 2006 - 13h27 GMT (10h27 Brasília)

Helen Briggs

'Rios secretos' são encontrados na Antárdida

Cientistas britânicos descobriram que os lagos enterrados da Antártida são conectados por uma rede de rios que movem a água muito abaixo da superfície, segundo um estudo publicado na revista científica Nature.

Acreditava-se que os lagos subglaciais haviam ficado completamente selados por milhões de anos, permitindo a evolução de espécies únicas.

Os pesquisadores argumentam que a descoberta pede a revisão dos planos internacionais de perfurar estes lagos.

"O que esta pesquisa mostrou é que a contaminação poderia ocorrer não apenas no lago perfurado, mas em todo o sistema de drenagem", disse o autor do estudo Duncan Wingham, da University College London, à BBC.

Cápsulas do tempo

Os lagos subglaciais do pólo sul são considerados "cápsulas do tempo" do período em que o continente começou a se congelar.

Os cientistas acreditam que qualquer vida encontrada nestes lagos ajudará no desenvolvimento de pesquisas em outros lugares, como o oceano bloqueado por gelo na lua Europa de Júpiter.

A presença do sistema de drenagem pode mudar a corrente de pensamentos de que os microorganismos se desenvolvem "independentemente".

Desde os anos 60, satélites e aeronaves com poderosos radares vêm descobrindo a existência de diversos lagos enterrados quilômetros abaixo da espessa camada de gelo.

Mais de 150 já foram detectados, mas a expectativa é que existam milhares.

O maior lago subterrâneo na Antártida é o Vostok, que tem 250 quilômetros de extensão, 40 km de largura e 400m de profundidade.

Pesquisas

Pesquisadores da Nasa, a agência espacial americana, e da Academia de Ciência da Rússia planejam quebrar o gelo da superfície para retirar uma amostra da água para saber se há vida no local.

Um grupo envolvendo 14 universidades e entidades de pesquisa britânicas, e cientistas do Chile, Estados Unidos, Bélgica, Alemanha e Nova Zelândia apresentou propostas para explorar o lago Ellsworth, na Antártida ocidental.