19 de abril, 2006 - 10h52 GMT (07h52 Brasília)
Jill McGivering
Médicos britânicos especializados em transplante acusaram a China de manter um mercado de órgãos humanos para transplante, que estariam sendo retirados de prisioneiros executados.
Num anúncio feito nesta quarta-feira, a Sociedade Britânica de Transplantes condenou a prática, classificando-a como inaceitável e como uma violação dos direitos humanos.
A acusação vem menos de uma semana depois de o governo chinês ter negado tal prática no país e de ter afirmado que uma nova regulamentação sobre transplantes de órgãos seria anunciada em julho.
A Sociedade Britânica de Transplantes disse que há uma série de evidências sugerindo que os órgãos de milhares de prisioneiros na China estão sendo removidos para transplante sem autorização.
O professor Stephan Wigmore, que dirige o comitê de ética da entidade, disse à BBC que a velocidade com que se encontram órgãos compatíveis para os pacientes indica irregularidades.
Em alguns casos, pacientes aguardam menos de uma semana para encontrar um doador, o que significaria que prisioneiros estariam sendo selecionados antes da execução.
“Nos últimos meses, reunimos provas que são irrefutáveis”, disse o professor Wigmore.
“Nos parece que é hora de tomar alguma medida contra esta prática.”
Turismo de transplante
Um bizarro mercado que ficou conhecido como “turismo de transplante de emergência” aumentou ainda mais a lucratividade do negócio na China.
Pacientes oriundos de países europeus, Japão e Coréia do Sul estariam indo para o país para realizar transplantes clandestinos.
Wigmore diz que a prática é crescente e que ele e seus colegas sabem de casos de pacientes britânicos que já consideraram a possibilidade de ir para a China para um transplante.
“Nós só esperamos que as pessoas realmente parem para pensar se elas deveriam mesmo fazer isso”, acrescentou o médico.
A falta de transparência envolvendo as execuções na China agrava o problema.
As acusações de tráfico de órgãos na China não são recentes, tendo vindo de diversos grupos de direitos humanos nos últimos anos.
Críticos dizem que a nova legislação chinesa sobre o assunto, que está marcada para entrar em vigor em julho, não garante que o problema seja resolvido, porque o mercado ilegal de órgãos movimenta muito dinheiro.