14 de abril, 2006 - 00h08 GMT (21h08 Brasília)
O cotidiano da Divisão Anti-Seqüestros de São Paulo foi mostrado em documentário na emissora de televisão BBC, da Grã-Bretanha, nesta quinta-feira às 21h, horário nobre na programação nacional.
O documentário Kidnap Cops enfocou a cultura de seqüestros no Brasil.
O programa de uma hora apresentou entrevistas com os jogadores de futebol Robinho e Grafite, que tiveram parentes seqüestrados, e trouxe até mesmo depoimentos de um seqüestrador preso e de um que segue em atividade e que aparece encapuzado.
Entre as imagens mais contundentes mostradas em Kidnap Cops, estão as de vídeos feitos por seqüestradores e enviados às famílias das vítimas.
Um dos vídeos mostra os seqüestradores de Marina Souza, a mãe de Robinho, ameaçando cortar seu cabelo e os dedos de sua mão com uma faca.
"Métodos"
No programa, um atual seqüestrador fala também de seus "métodos" para melhor extorquir a família da vítima e para lidar com a polícia. Segundo ele, quando os familiares afirmam não ter dinheiro, eles "ameaçam cortar alguma coisa", para pressionar pelo pagamento de resgate.
O mesmo seqüestrador conta como ele e seus comparsas tendem a agir quando estouram o cativeiro em que mantêm suas vítimas, dizendo que eles tentam "negociar" com a polícia. Mas, segundo o entrevistado, se isso não funciona, "a gente tem que matar (a vítima) ali mesmo".
O documentário explora também a trajetória de Célio Marcelo da Silva, o "Bin Laden", que é visto em diferentes momentos. Primeiro, ameaçando vítimas em vídeos que fez para extorquir familiares, em seguida, entrevistado após ter sido preso.
"Bin Laden", que tramou o seqüestro da mãe de Robinho, afirma: "Não tenho nada contra ela, não. Ela se portou bem. Só chorava às vezes, de saudade".
No programa, os policiais da Divisão Anti-Seqüestro falam de policiais que são vítimas da violência, mas também de oficiais corruptos que atuam na corporação.