30 de março, 2006 - 10h55 GMT (07h55 Brasília)
Eric Brücher Camara
Enviado especial a Baikonur, no Cazaquistão
O lançamento de missões espaciais no Cosmódromo de Baikonur é cercado de superstição e rituais: das palavras evitadas pelos engenheiros, à música tocada para os cosmonautas no caminho para a plataforma de lançamento.
A admiração pelo pioneiro dos vôos espaciais, Yuri Gagarin, está no centro de muitas dessas tradições.
Coincidentemente, o brasileiro Marcos Pontes ganhou algumas comparações com o pioneiro russo por seu sorriso e, por tabela, conquistou a simpatia de muitos russos.
Desde o vôo do russo, em 1961, por exemplo, todos os astronautas que partem de Baikonur ouvem no ônibus que os leva do seu hotel até a plataforma de lançamento a mesma canção: Trava u doma, em tradução literal "grama ao redor de sua casa".
Outra tradição inspirada em Gagarin, que aliás emprestou o nome dele à plataforma de lançamento número um de Baikonur - a mais usada em todo o Cosmódromo - é a de plantar árvores na Alameda dos Cosmonautas antes de partir.
Desde então, todos os astronautas, inclusive o brasileiro Marcos Pontes, plantaram árvores no local.
Entre as superstições, a que mais chama a atenção é a dos engenheiros russos, que não utilizam a palavra poslednyi – ou "última", em russo.
Para evitar má sorte, eles preferem a palavra krainyi, algo mais próximo de "mais recente" ou "limítrofe".
É bom lembrar que a missão do tenente-coronel Marcos Pontes foi a de número 13 para a Estação Espacial Internacional.
Para completar, ela foi lançada no mesmo dia de um eclipse solar, o que para muitos povos é também um sinônimo de maus presságios.
No entanto, como se viu durante o lançamento e segundo os primeiros relatórios enviados pela tripulação, a missão, até o momento, não poderia ter sido mais venturosa.
Se depender dos supersticiosos russos de Baikonur, que já simpatizaram com o "Gagarin brasileiro", não vão faltar rituais para que Pontes volte à Terra são e salvo.