29 de março, 2006 - 16h43 GMT (13h43 Brasília)
Eric Brücher Camara
enviado especial a Baikonur, no Cazaquistão
O gerente da missão Centenário da Agência Espacial Brasileira (AEB), que vai levar o cosmonauta brasileiro Marcos Pontes ao espaço nesta quarta-feira afirmou ter estranhado as críticas disparadas pelo médico Luiz Cláudio Lutiis, responsável por acompanhar a saúde de Pontes durante a missão, de que a AEB teria "atrapalhado" os planos de vôo do astronauta.
"Só posso dizer que desde que assumi tenho recebido todo o apoio da direção da AEB e do Ministério da Ciência e Tecnologia. No passado eu não estava presente", afirmou o gerente da missão, Raimundo Mussi, à BBC Brasil .
O tenente-coronel médico da Força Aérea Brasileira (FAB) disse também que foi o empenho pessoal do cosmonauta brasileiro que garantiu a concretização dos planos de vôo.
Para Mussi, a afirmação não reflete o esforço feito pela atual direção.
"Você sabe que os recursos (cerca de US$ 10 milhões pagos à agência espacial russa) para o vôo não caíram do céu. Se não tivesse havido empenho extremamente sério da direção da AEB teria sido impossível conseguir recursos", disse o gerente da missão Centenário.
Comunicação
Entre as críticas feitas por Lutiis estavam ainda as dificuldades de comunicação enfrentadas pela equipe brasileira no Cosmódromo de Baikonur. Segundo o médico, se não fosse a Nasa, eles estariam "isolados" no Cazaquistão.
Raimundo Mussi afirmou que a ajuda da Nasa não foi apenas questão de amabilidade.
"O que eu posso dizer é que o contrato para usar o equipamento da Nasa já tinha sido acertado oficialmente. Por isso é que não havia acordo firmado com os russos. Já estava tudo previsto com os americanos", afirmou Mussi.
O vôo do cosmonauta brasileiro está previsto para ser lançado da plataforma Gagarin, em Baikonur, às 23h29 de quarta-feira, na hora de Brasília.
Ele vai passar oito dias na Estação Espacial Internacional antes de iniciar o retorno a Terra, no dia 8 de abril.