23 de março, 2006 - 17h07 GMT (14h07 Brasília)
A história por trás da montagem do musical O Senhor dos Anéis é quase tão épica quanto a que se vê no palco.
O espetáculo demorou quatro anos para ficar pronto e é o mais caro da história: custou US$ 25 milhões.
Mas seu futuro como um empreendimento global depende do que ocorrer esta noite em Toronto, no Canadá, quando acontece a première mundial do musical.
O produtor Kevin Wallace, que já trabalhou com o mago britânico dos musicais, Andrew Lloyd Webber, leu o rascunho da adaptação feita por Shaun McKenna em 2001.
Em 2003, já havia formado a equipe, que inclui alguns veteranos do circuito teatral londrino.
Na falta de um teatro de grande porte disponível em Londres, a estréia foi transferida para Toronto. Nova York não foi considerada um bom ponto de partida.
"Eu acho que, culturalmente, aqui (Toronto) é mais perto de Londres", diz o diretor Matthew Warchus.
"Com certeza a pressão é menor, o que é absolutamente necessário quando você quer criar uma obra nova."
Ambição
O objetivo final, no entanto, é que se crie uma réplica do espetáculo em Londres, em março de 2007, e uma nos Estados Unidos, em 2008.
O ator canadense Brent Carver interpreta Gandalf, o jovem britânico James Loye é Frodo e Richard McMillan é o odioso mago Saruman.
Os desafios enfrentados pela equipe são muitos.
A produção precisa respeitar o original de Tolkien e satisfazer os fãs exigentes do escritor e, ao mesmo tempo, criar um empreendimento comercial que apele àqueles que talvez nunca tenham lido os livros.
"Eu evitei completamente os filmes", disse o cenógrafo Rob Howell.
Para ele, os livros são o melhor e único ponto de referência.
Já o ator Loye, de 26 anos, conhecia os filmes, mas não os livros.
Ele conta que fica boquiaberto quando, parado na coxia, vê os efeitos especiais em ação.
O espetáculo dispensa descidas de cortina para passar de uma cena para outra.
Cenários mudam rapidamente, de uma tranqüila paisagem campestre para uma batalha feroz.
O teatro Princess of Wales, tido como o mais moderno e bem equipado do Canadá, teve sua capacidade testada até os limites.
Há muita especulação sobre o sucesso ou não do empreendimento.
O jornal Toronto Star disse que "a batalha nos bastidores para colocar o espetáculo em forma e reduzi-lo a uma duração razoável teve proporções épicas".
Na pré-estréia, a apresentação foi interrompida por problemas técnicos e acidentes.
Grandes trechos foram cortados para que o musical tenha a duração atual, de três horas e meia.
O produtor Kevin Wallace admite que algumas pessoas esperavam um musical mais convencional.
Mas disse estar confiante de que as falhas foram corrigidas.
Ele acha que o poder da história original de Tolkien vai sustentar o espetáculo.
Para Wallace, o musical fala de "um mundo de beleza e amor e complexidade que está à beira da destruição".
Este é o espírito da história.
E é também o espírito do espetáculo de hoje no teatro Princess of Wales, em Toronto.