13 de março, 2006 - 16h15 GMT (13h15 Brasília)
Ilana Rehavia
O porta-voz da campanha "Justiça por Jean" disse que encaminhará, em nome da família de Jean Charles de Menezes, reclamações formais à polícia e à imprensa por causa do vazamento de informações sobre uma acusação de estupro contra o eletricista.
Assad Rehman disse que está pedindo a investigação de como a informação chegou à imprensa. Além disso, ele mandará reclamações para a polícia, para a Comissão de Reclamações da Imprensa e também ao grupo Mirror, responsável pelos jornais que publicaram as reportagens.
A polícia metropolitana de Londres confirmou que foi contatada no início deste ano pela vítima de um suposto estupro no centro da cidade, acontecido há mais de três anos. A vítima teria fornecido o nome de Jean Charles de Menezes como um possível suspeito do ataque.
"A polícia está tentando difamar Jean Charles para desviar a atenção dos erros que levaram à morte dele", disse Alessandro Pereira, primo do eletricista.
Informações
A advogada da família do brasileiro, Harriet Wistrich, disse à BBC Brasil que vai apurar mais detalhes sobre a acusação de estupro contra o brasileiro, morto em julho de 2005, pela polícia, em uma estação de metrô de Londres, quando foi confundido com um "terrorista".
"Precisamos de mais informações sobre essa acusação, saber qual a data exata desse suposto ataque, em que estágio estão as investigações e qual a descrição feita pela vítima", disse Wistrich.
"Quero ver se não é possível excluir Jean Charles sem a necessidade de um exame de DNA. Pode ser que ele nem mesmo estivesse aqui na Grã-Bretanha na época do ataque".
A advogada disse que foi contatada pela Comissão Independente de Queixas contra a Polícia Britânica (IPCC, na sigla em inglês) há algumas semanas.
DNA
"Eles perguntaram se a polícia poderia usar amostras de DNA de Jean Charles por causa dessa acusação", disse Wistrich. "Eu disse a eles que a família precisaria consentir, mas eu não queria abordá-la antes de obter mais detalhes sobre as alegações."
A advogada afirmou que pediu então para que o IPCC encaminhasse um pedido à polícia para mais informações sobre o caso.
Wistrich disse que não obteve resposta até que recebeu, no sábado, uma ligação da polícia avisando que a história havia vazado e seria publicada nos jornais do dia seguinte.
"Eu liguei imediatamente para informar a família, que ficou claramente perturbada", disse Wistrich.
"Não está claro de onde veio esse vazamento para a imprensa, mas novamente parece que há elementos dentro da polícia tentando vazar informações para desviar a atenção de seus próprios erros", disse Wistrich.
A família deve se reunir com a advogada ainda nesta semana para discutir o caso.