13 de março, 2006 - 12h44 GMT (09h44 Brasília)
Um dos mais importantes chefes de polícia da Grã-Bretanha, o Comissário da Polícia Metropolitana, Ian Blair, pediu desculpas por ter gravado secretamente uma conversa por telefone com o procurador-geral da Grã-Bretanha, Lord Goldsmith.
O procurador-geral é o mais graduado assessor legal do governo britânico e teria ficado "bastante bravo" e "decepcionado" com a gravação. Depois do pedido de desculpas, porém, Lord Goldsmith teria dado o assunto por encerrado.
Ian Blair também admitira ter gravado outras conversas com encarregados da investigação sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes.
Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que ele tem "total confiança" em Ian Blair.
O presidente da Metropolitan Police Authority (agência encarregada de fiscalizar a polícia), Len Duvall, deve se reunir com a cúpula da agência para discutir o assunto.
Segundo uma porta-voz da Metropolitan Police Authority. Duval está "extremamente preocupado" e considera que há "questões a serem respondidas".
'Confiança'
Ian Blair já tinha sido criticado anteriormente pela forma como agiu depois da morte de Jean Charles, que foi assassinado a tiros pela polícia antiterrorismo da Grã-Bretanha numa estação de metrô em Londres, em julho passado.
A conversa do comissário e Goldsmith ocorreu em setembro do ano passado e os dois estavam discutindo se provas obtidas em gravação de telefonemas poderiam ser usadas em julgamento.
Richard Barnes, integrante da Metropolitan Police Authority e da Assembléia Legislativa de Londres, disse que Blair deveria reconsiderar sua posição.
"Acho que que ele chegou a um ponto em que ele precisa considerar sua posição. A reputação do Metropolitan Police realmente deve estar acima de tudo e é o que precisamos proteger", disse.
Shami Chakrabarti, diretora do grupo de direitos humanos Liberty, defendeu a renúncia de Blair.
"O comportamento dele parece ser inconstitucional, antiético e possivelmente ilegal", disse.
"É muito difícil para nós termos confiança nele como o mais graduado responsável pela aplicação da lei no país."