13 de março, 2006 - 12h17 GMT (09h17 Brasília)
A probabilidade de desenvolver dependência de cocaína pode depender dos genes, segundo pesquisadores do Instituto de Psiquiatria da Grã-Bretanha.
O estudo identificou uma variação genética que causa uma maior inibição de uma proteína que controla a eliminação da dopamina, uma substância essencial para a estimulação do sistema nervoso.
A pesquisa foi feita a partir da análise dos DNAs de 700 usuários de cocaína e 850 outras pessoas.
Os resultados foram divulgados na revista acadêmica Proceedings of the National Academy of Sciences.
Sobrecarga
O principal efeito da cocaína é inibir a ação da proteína DAT, que controla a eliminação de dopamina das junções entre as células nervosas do cérebro.
Isso leva a uma sobrecarga da substância nas células nervosas, o que, acredita-se, contribui para a sensação associada à cocaína.
Os pesquisadores identificaram uma variação específica no código genético que controla a produção de DAT.
As pessoas que carregam duas cópias desta variante particular estão 50% mais propensas a ficarem dependentes de cocaína.
Isso porque a resposta à DAT sofre maior inibição nestas pessoas.
“Esta pesquisa ajuda a entender o desenvolvimento do vício da cocaína”, disse Camila Guindalini, uma das participantes do estudo.
“Ela pode influenciar a criação de tratamentos do abuso de cocaína no futuro.”