09 de março, 2006 - 11h26 GMT (08h26 Brasília)
Em Nova York os únicos camelôs que não precisam de licença da prefeitura são vendedores de livros, jornais ou qualquer tipo de texto.
Eles são protegidos pela primeira emenda que garante liberdade de expressão.
Foi com base na própria vida criminosa que Relentless Aaron escreveu seu primeiro livro, pagou pela impressão de 50 e foi vendê-los numa esquina do Harlem.
A primeira edição saiu num dia. Imprimiu mais 300 que se esgotaram numa semana. Rodou 20 mil e agora já está no décimo livro.
Aaron aprendeu a escrever na prisão quando foi condenado por falsificação de cheques.
Levou quase um ano para escrever o primeiro mas, oito anos depois, saiu da prisão com 30 manuscritos, 12 deles já publicados.
Hoje você pode comprar os livros de Aaron pela internet mas ele não perdeu o espírito do camelô.
Uma vez por semana, entra em ônibus que estão indo para as prisões de Nova York levando parentes para visitar condenados.
Aaron se apresenta como um ex-presidiário que tinha tudo a perder e hoje é um escritor bem sucedido que pode servir de inspiração e modelo para aqueles condenados que os passageiros vão encontrar na penitenciária.
A dez dólares cada, muitos compram mais de um exemplar.
Os livros de Relentless Aaron são baseados nas experiências dele e de outros presos.
Ele cresceu num subúrbio de Nova York onde o pai tinha um clube de stript tease.
Cedo, Aaron conheceu drogas, prostitutas e gente ligada ao crime.
Pelos títulos - Push, Sugar Daddy, Topless, To Live and Die in Harlem, Platinum Dolls – você pode ter uma noção das tramas, ricas na miséria, volência e linguagem urbanas.
Quando estava na prisão no Texas, Aaron chegou a escrever um livro em duas semanas mas, em liberdade, a pena perdeu o impulso.
Levou três anos para terminar Extra Marital Affairs, seu primeiro livro a ser lançado por uma editora convencional, a St. Martin's Press.
Aaron tem a fertilidade dos confinados.