08 de março, 2006 - 19h02 GMT (16h02 Brasília)
Claudia Silva Jacobs
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira em Londres que " a filosofia do atual governo é de não brincar com a economia. A nossa filosofia é que não existe mágica, existe seriedade, acordos, compromissos e atitudes".
A declaração fez parte do seu discurso no encerramento do Seminário de Economia e Relações Comerciais entre Brasil e Grã-Bretanha.
Falando para mais de cem empresários, Lula tentou transmitir a idéia de que investir no Brasil é seguro e que as eleições não devem mudar a política econômica.
"Em um ano de eleições como este, é a sociedade brasileira que exige um crescimento sustentável."
Desenvolvimento
"O Brasil e os empresários agem hoje com um comportamento de seriedade", disse.
Em seguida, o presidente enumerou o que considera conquistas do seu governo, dizendo ainda que "resolveram fazer da política econômica o toque de seriedade do governo".
"Nós estamos no novo ciclo de desenvolvimento econômico e social. Este processo veio para ficar. Registramos a menor inflação dos últimos oito anos, recuperamos reservas internacionais, registramos o menor risco-país da história, coroando com o pagamento da dívida com o FMI."
O presidente resaltou a necessidade de reforçar os laços com a Grã-Bretanha, argumentando que os dois países podem usar a expertise brasileira no setor de combustíveis alternativos - biodiesel e etanol - para financiar projetos em países africanos, ajundando o combate à pobreza nestes países.
Palocci
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, havia afirmado que 2006 será, "com certeza, um ano de forte crescimento econômico".
"Os indicadores macroeconômicos continuam evoluindo para o bem, ou seja, as taxas de risco caindo. O perfil da nossa dívida externa nunca esteve tão positivo", afirmou o ministro.
"Certamente nós vamos ter um ano de forte crescimento em 2006 e nos próximos. O que nós queremos justamente é que este não seja um ano de crescimento, nós queremos que seja o fortalecimento de um ciclo longo de crescimento para o Brasil, onde a inflação permaneça sob controle, as contas externas continuem fortes e nós possamos crescer muitos anos."
Ainda nesta quarta-feira, o Ipea (Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada do Ministério do Planejamento) anunciou uma previsão de 3,4% para o crescimento da economia neste ano.
O número é superior aos 2,3% de 2005, mas bem abaixo dos 4,9% de 2004.