06 de março, 2006 - 10h39 GMT (07h39 Brasília)
O jornal britânico The Independent destaca a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Grã-Bretanha nesta segunda-feira com uma reportagem em que diz que ele sobreviveu a um escândalo de corrupção e a "circunstâncias econômicas austeras" para voltar a liderar as pesquisas para a eleição presidencial.
Segundo o jornal, Lula perdeu cerca de 13 quilos, deixou o álcool e está revigorado politicamente por números que mostram que sua taxa de aprovação chega a 53,3%.
O Independent afirma que apesar de o presidente não ter anunciado oficialmente a intenção de concorrer em outubro, "comporta-se como candidato, viajando pelo Brasil muito mais do que anteriormente para aproveitar as oportunidades de foto nas inaugurações de obras públicas."
O mesmo jornal traz um editorial intitulado "A terceira via de Lula" em que diz que é um erro subestimar o potencial econômico do Brasil.
Sem fuga
O editorial afirma que "Lula não levou o Brasil à ruína que os pessimistas previam". Ao contrário, segundo a publicação, diminuiu o abismo entre ricos e pobres e reduziu a porcentagem da população que vive na pobreza.
"Tudo isso, sem fazer com que a classe média e os investidores fugissem em pânico", segundo o The Independent.
Outro jornal britânico, o Daily Telegraph, traz uma reportagem em que diz que ministros de países em desenvolvimento devem entrar em choque com seus colegas europeus e americanos nesta semana em que a Grã-Bretanha sedia um encontro que pode "determinar o futuro da globalização".
O Daily Telegraph afirma que antes mesmo que os delegados de países como Brasil e Índia tomem seus lugares à mesa para tratar de comércio mundial, "especialistas alertam que as propostas podem causar a perda de bilhões de libras em receitas e milhares de empregos nos países em desenvolvimento".
Pena de morte
O jornal francês Libération destaca o julgamento, nesta segunda-feira, nos Estados Unidos, de Zacarias Moussaoui, o primeiro acusado pelos ataques de 11 de setembro a ir à Justiça.
Segundo o diário, opositores da pena de morte nos Estados Unidos enfrentam um desafio, já que "a organização Al Qaeda é a melhor propagandista da cadeira-elétrica".
"Ao julgar Moussaoui, a Justiça americana vai estar julgando a si mesma diante de todo o mundo", afirma.
Na Alemanha, o Der Tagesspiegel diz que "não é justificável" um inquérito parlamentar sobre as atividades de agentes do serviço secreto em Bagdá durante a guerra contra o Iraque.
Dois partidos de oposição estão pedindo um inquérito para investigar alegações de que agentes alemães ajudaram os Estados Unidos a invadir o Iraque.
O jornal afirma que seria "loucura" a oposição apoiar um inquérito já que durante a guerra ela acusou o governo de danificar laços transatlânticos.
O Frankfurter Rundschau concorda que "não há escândalo" a ser investigado.
O diário espanhol ABC diz que o "ETA reativa o terror nas ruas", depois que a organização separatista basca foi acusada por uma onda de ataques de pequena escala.
Segundo o jornal, o primeiro-ministro José Luis Rodriguez Zapatero uma vez previu "o começo do fim" para a violência do ETA, mas agora enfrenta um cenário diferente.