03 de março, 2006 - 16h44 GMT (13h44 Brasília)
Victoria Lindrea
O diretor Fernando Meirelles, da produção britânica O Jardineiro Fiel, diz que não enxerga o seu filme como uma obra acabada.
"Não quero ver mais esse filme", disse ele à BBC.
"Estou feliz com ele, mas obviamente eu mudaria centenas de coisas."
"Nunca paro de trabalhar em um filme. Não consigo."
Política x romance
Baseado no romance de John Le Carré, o filme é a história de um diplomata britânico cuja esposa é assassinada quando ameaça expor companhias farmacêuticas que testam remédios em africanos.
O filme começa como um drama político, mas se transforma em uma história de amor.
"Quando li o roteiro, o lado político realmente me interessou. Estava interessado em falar das empresas farmacêuticas e como as corporações e os governos trabalham em conjunto", disse ele.
"Assistindo ao filme, no entanto, era como ouvir minha própria voz, como o diretor pregando para a audiência."
"Comecei então a cortar e, no fim, ele se tornou mais uma história de amor."
Controle
Fernando Meirelles diz acreditar que, no futuro, o mundo vai ver mais produções ambientadas na África ou tendo o continente como tema.
Para o diretor, a miséria brasileira é pequena comparada com o que viu no Quênia.
Meirelles diz que, no futuro, pretende manter distância das grandes produções dos estúdios de Hollywood.
"Não pretendo fazer grandes filmes de estúdio", diz o diretor de Cidade de Deus.
"Quero tocar meus projetos pessoais."
"Se você faz um filme com um grande orçamento as pessoas querem controlá-lo. O pessoal do marketing fala o que você tem que fazer para que eles recuperem o dinheiro."
"Estou mais interessado em fazer filmes menores sobre os quais eu tenha controle."
Ele planeja voltar ao Brasil para completar um filme que conta sete histórias sobre a globalização ao redor do mundo.
"Não é um filme politico ou sociológico, é mais filosófico, sobre a felicidade", diz ele.
"É sobre o que nos torna felizes e as escolhas que fazemos na vida."