03 de março, 2006 - 12h06 GMT (09h06 Brasília)
Neil Smith
Após um 2005 decepcionante em termos de bilheterias para a indústria do cinema, o Oscar vai ser disputado por produções bem mais baratas do que em anos anteriores e de temáticas ousadas.
Nos anos anteriores, muitos críticos disseram que os membros da Academia de Hollywood estavam cada vez mais em descompasso com o gosto do grande público.
Neste ano, entretanto, o fracasso ainda que relativo das superproduções multimilionárias nas bilheterias foi refletido nas indicações.
Veja galerias e assista aos clipes:
Dos cinco indicados para melhor filme, apenas Munique, de Spielberg custou mais do que os US$ 14 milhões de O Segredo de Brokeback Mountain - o grande favorito.
Veja também:
Investimentos
Com um orçamento de US$ 75 milhões, o filme de Spielberg custou cinco vezes mais que Brokeback Mountain e dez a mais do que Capote.
Produções caríssimas como Ameaça Invisível - Stealth, A Ilha e XXX 2: Estado de Emergência não deram nem o retorno financeiro esperado nem o prestígio de indicações importantes.
Mesmo as três lembranças para o drama A Luta pela Esperança podem ser consideradas um retorno fraco para os US$ 88 milhões investidos pela Universal.
O mesmo acontece com King Kong de Peter Jackson. O custo do filme bateu na casa dos US$ 200 milhões, mas conquistou apenas quatro indicações em categorias menores.
A Sony gastou US$ 85 milhões em Memórias de Uma Gueixa e conseguiu disputar o prêmio em seis categorias, mas nenhuma delas considerada ‘nobre’, como melhor filme, diretor, atriz ou ator.
Crash – No Limite, por exemplo, recebeu o mesmo número de indicações, tendo custado um décimo do valor.
Independente de quem sair vitorioso na cerimônia de entrega de prêmios, quem ganha é o cinéfilo mais exigente que foi brindado com filmes inteligentes e sem medo de tocar em temas polêmicos.