01 de março, 2006 - 12h34 GMT (09h34 Brasília)
Jair Rattner
de Lisboa
O meia Marcos Senna pode fazer nesta quarta-feira sua estréia pela seleção nacional – mas não a do Brasil, e sim a da Espanha, cuja cidadania adotou recentemente após seis anos vivendo lá.
A seleção espanhola enfrenta a Costa do Marfim em um amistoso em Valladollid, e muita gente espera que Senna tenha sua primeira chance com a camisa da Fúria.
A esperança é que, após o sucesso obtido defendendo o Villarreal, equipe-revelação das últimas temporadas no futebol espanhol, Senna agora consiga defender o novo país na Copa do Mundo da Alemanha.
E daí quem sabe dar um susto em seu torrão natal.
“Vou torcer pelo Brasil e pela Espanha”, diz o jogador. “Mas, se calhar de a gente jogar, vou estar do lado da Espanha.”
Opção de vida
Aos 29 anos, com passagens pelo Rio Branco (SP), América (SP), Corinthians, Juventude e São Caetano, Marcos Senna diz que não pediu a nacionalidade espanhola com o objetivo de jogar na seleção.
“Interessa ao clube, que só pode inscrever três jogadores estrangeiros, e eu estava ocupando um destes lugares”, disse ele.
Em seguida, Senna foi contactado pelo selecionador espanhol, Luís Aragonés, que queria saber se ele estava disposto a defender o novo país – abrindo mão, desta maneira, de qualquer chance de vestir a camisa da Seleção Brasileira.
“Ele perguntou se eu me sentia espanhol e se gostaria de jogar na seleção”, diz Senna.
“Disse que, quando pedi a nacionalidade, fiz uma opção de vida”.
Marcos Senna diz que a oportunidade de jogar uma Copa do Mundo – reforçada por contusões graves sofridas por astros do meio-campo espanhol como Xavi, do Barcelona, e Valerón, do Deportivo La Coruña - veio como uma surpresa.
“Eu sempre sonhei jogar na Espanha, mas nunca imaginei que poderia jogar na seleção espanhola”, afirma o jogador.