01 de março, 2006 - 17h46 GMT (14h46 Brasília)
Um estudo publicado nesta semana pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que a ineficiência dos bancos da América Latina aliada às altas taxas de juros e maiores exigências legais de manutenção de reservas são os principais responsáveis pelo spread bancário da região estar entre os mais altos do mundo.
O spread bancário é a diferença entre as taxas cobradas e as pagas pelos bancos. O estudo do economista R. Gaston Gelos concluiu que, em comparação com outros países em desenvolvimento, esses são os principais fatores que levam a spreads altos.
A falta de eficiência dos bancos latino-americanos estaria aparentemente associada à baixa concorrência na região, segundo o economista.
Ele afirma que o alto custo com pessoal e com despesas administrativas "indicam a existência de ineficiências substanciais".
O estudo indica que as despesas administrativas representam mais da metade da diferença entre os spreads da América Latina e de outros países em desenvolvimento.
Recomendações
A solução recomendada por Gelos para diminuir o spread bancário na América Latina seria promover uma concorrência maior, que levaria a mais eficiência.
O autor do documento aponta também o arcabouço legal dos países, que muitas vezes protege o devedor, e baixas taxas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma dos bens e riquezas produzidos por um país –, como fatores que contribuem para o custo mais alto dos empréstimos bancários.
O estudo recomenda que os governos tomem iniciativas para fomentar um ambiente macroeconômico propício à queda das taxas de juros, mas não entra em detalhes.
Por último, o economista sugere que as exigências legais de reservas bancárias na América Latina também sejam reduzidas para que o spread caia e, conseqüentemente, as taxas de juros cobradas pelos bancos.
O autor da pesquisa destaca, no entanto, que "uma questão potencialmente importante" não foi investigada por causa da "limitada disponibilidade de dados" é o papel de impostos sobre transações financeiras nos níveis de spread.