24 de fevereiro, 2006 - 16h06 GMT (13h06 Brasília)
Diego Toledo
de São Paulo
O anúncio de que o PIB brasileiro registrou uma expansão de apenas 2,3% em 2005 confirma as projeções de organismos internacionais que apontavam o Brasil como o país com a menor taxa de crescimento entre as economias consideradas emergentes.
O México, por exemplo, que era apontado como o emergente com pior desempenho depois do Brasil, cresceu 3% no ano passado. Já Argentina e Venezuela registraram crescimento de 9,1% e 9%, respectivamente.
Os dois países, principais parceiros do Brasil nos planos de integração sul-americana do governo Lula, cresceram em ritmo próximo ao da economia chinesa, que registrou uma expansão de 9,9% em 2005.
A economia brasileira contrariou até mesmo a tendência de maior crescimento entre os países em desenvolvimento do que entre os desenvolvidos.
O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU estima que os países em desenvolvimento cresceram, em média, 5,7% em 2005, e as nações desenvolvidas teriam registrado um crescimento médio de 2,4%.
No entanto, países como Estados Unidos (3,5%) e Japão (2,8%), por exemplo, cresceram mais do que o Brasil.
Juros
Na opinião de Pedro Paulo da Silveira, economista-chefe da consultoria Global Invest, um único fator explica o desempenho abaixo da média da economia brasileira: o elevado nível dos juros no país.
“Nós não tivemos taxa de crescimento decente no ano passado porque a nossa taxa de juros real foi estupidamente elevada”, diz o economista. “Em média, ela ficou entre 13% e 15% no ano inteiro. E não há investimento em um país onde a taxa de juros real seja tão elevada.”
De acordo com Silveira, a falta de investimentos fez com que o consumo também registrasse um crescimento pequeno no ano passado, e isso influenciou o desempenho do PIB brasileiro.
Para o economista, os outros conhecidos problemas da economia brasileira como a alta tributação e o câmbio sobrevalorizado não servem como justificativa para a expansão limitada do PIB.
"O nosso saldo da balança comercial no ano passado se expandiu", diz o analista da Global Invest. "Se o saldo da balança comercial se expandiu, não foi a taxa de câmbio que propiciou a redução do crescimento."
"Os outros problemas outros países também têm, não resolveram e, no entanto, estão tendo taxas de crescimento monstruosamente elevadas", acrescenta Silveira.
O economista-chefe da Global Invest concorda com as projeções dos organismos internacionais, que prevêem que o Brasil continuará a ser em 2006 o país emergente com a menor taxa de crescimento.
A ONU estima que a economia brasileira deve crescer 3% neste ano, menos do que o México (3,5%) e bem abaixo das previsões para Venezuela (5,5%), Argentina (6%) e China (8,3%).