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21 de fevereiro, 2006 - 21h27 GMT (19h27 Brasília)

Jonathan Amos

Elefantes-marinhos coletam dados oceanográficos

Elefantes-marinhos nas ilhas Geórgia do Sul estão sendo recrutados para trabalhar em prol da ciência. Com equipamentos computadorizados presos a suas cabeças, os animais estão coletando importantes informações novas sobre as condições do Oceano Meridional.

Como os animais nadam por milhares de quilômetros e mergulham a até 2 mil metros, seus equipamentos registram detalhes sobre temperatura, profundidade e salinidade da água.

Quando os elefantes-marinhos emergem para respirar, os computadores enviam as informações para cientistas na Escócia via satélite.

"Esses animais estão abrindo uma interessante janela nova no oceano", disse Mike Fedak, da Unidade de Pesquisas sobre Mamíferos Marinhos (SMRU) da Universidade de St. Andrews.

"Eles podem ir a lugares no oceano onde normalmente não podemos ir e podem tomar amostras do oceano onde não temos condições logísticas de fazê-lo."

Projetos

A SMRU vem desenvolvendo o projeto há cerca de dois anos em conjunto com cientistas da França, da Austrália e dos Estados Unidos.

Ele também ocorre paralelamente a outros projetos que usam leões-marinhos, atuns e até tubarões para coletar dados.

As informações dos elefantes-marinhos permitiram aos pesquisadores estudar como as mudanças em salinidade e temperatura afetam o movimento da água a diferentes profundidades.

Isso também forneceu novos detalhes sobre os hábitos e o ambiente tanto do elefante-marinho quanto de suas presas, as lulas.

Mas isso também melhorou significativamente a compreensão sobre o processo de trocas de calor dentro do Oceano Meridional e com o resto do mundo.

A região tem um papel importante no movimento de massas de água no globo que ajuda a redistribuir a energia em nosso sistema climático.

Frentes

Os elefantes-marinhos da Geórgia do Sul ajudaram a identificar as posições das "frentes" do oceano com detalhes sem precedentes.

"Elas são como as frentes climáticas que temos na meteorologia, com a única diferença de que elas estão no oceano", disse Lars Boehme, da SMRU.

"Estas frentes mostram onde a água fria está vindo do oceano profundo para a superfície ou onde a água mais morna e rica em nutrientes é carregada para o fundo do oceano", disse ele à BBC.

"Saber onde estão essas frentes nos ajuda a entender o que acontece a esse movimento global nesta parte do Oceano Meridional."

A coleta de amostras de navios com sensores deu informações sobre as posições das frentes em um período de dez anos. Agora, graças aos elefantes-marinhos e aos 21 mil "perfis" que eles coletaram em dois anos, a equipe da SMRU melhorou essa imagem dramaticamente.

"Agora, somos capazes de usar só os dados de meio ano para produzir um instantâneo sobre onde estão essas frentes", disse Boehme.