20 de fevereiro, 2006 - 03h36 GMT (01h36 Brasília)
James Reynolds
da Cidade de Gaza
O recém-indicado primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, minimizou o efeito das medidas financeiras contra a Autoridade Palestina anunciadas por Israel no domingo.
Haniyeh também deu pouca importância ao impacto de um possível boicote de países do Ocidente, cujas doações permitem a manutenção da autoridade e da economia palestinas.
"Temos muitas opções e alternativas, vários países árabes e islâmicos estão prontos a apoiar o povo palestino", afirmou Haniyeh.
Em entrevista à BBC, Haniyeh afirmou que se recusa a exigir um cessar-fogo do Hamas ou mesmo uma mudança no estatuto, que prevê a destruição do Estado de Israel.
"Enquanto houver ocupação, vai haver resistência", disse o líder. "No estágio atual, estamos falando de formar um Estado palestino. A forma de conseguir paz nessa região é dar segurança ao povo palestino."
'Crise grave'
No domingo, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, admitiu que a Autoridade Palestina enfrenta uma "grave crise financeira" depois de Israel confirmar que vai impor sanções à instituição.
A medida israelense é uma represália direta ao novo Parlamento eleito pelos palestinos, amplamente dominado pelo grupo Hamas.
"Infelizmente as pressões já começaram, e a ajuda começou a diminuir… Sendo assim, atravessamos uma crise financeira real", disse Abbas em Gaza.
Ele confirmou que os Estados Unidos pediram a devolução de US$ 50 milhões, após a vitória do Hamas nas urnas, mas disse que as negociações sobre o assunto ainda não terminaram.
Mortes
Ainda nesta segunda-feira, soldados israelenses mataram a tiros nesta segunda-feira um suposto militante palestino na cidade de Nablus, na Cisjordânia.
De acordo com fontes palestinas, o homem se chamava Hamad Abu Sharif e era o chefe do braço armado da Jihad Islâmica na cidade.
No domingo, as tropas de Israel mataram quatro palestinos.
Um ataque aéreo nas proximidades da cerca que divide a Faixa de Gaza de Israel matou dois supostos ativistas do Comitê de Resistência Popular.
Eles estariam plantando bombas perto da cerca.
No campo de refugiados de Balata, perto de Nablus, dois adolescentes foram mortos por soldados israelenses depois de atirar pedras contra os militares.