20 de fevereiro, 2006 - 16h58 GMT (14h58 Brasília)
Paul Rincon
de St. Louis
A Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) pediu em sua reunião anual, no Missouri, que as comunidades religiosas do país ajudem a combater políticas que prejudiquem o ensino da teoria da evolução.
Segundo a AAAS, o ensino do chamado “design inteligente”, que vem crescendo no país, ameaça o conhecimento científico entre os alunos primários.
Os defensores da teoria do “design inteligente” argumentam que a vida na Terra é complexa demais para ter evoluído espontaneamente. Para eles, a vida é o resultado da ação de um “designer” na natureza.
Já houve várias tentativas de grupos anti-evolucionismo nos Estados Unidos de tentar tornar o ensino da teoria do design inteligente obrigatório nas escolas.
“Tais tentativas veladas de promover a religião – na verdade, apenas um tipo de religião – nas salas de aulas são um desserviço aos estudantes, aos pais, aos professores e aos contribuintes”, disse um comunicado assinado pelo presidente da AAAS, Gilbert Omenn.
“Chegou a hora de reconhecer que ciência e religião nunca deveriam ser colocadas uma contra a outra’”, diz o comunicado.
Estratégia
No ano passado, um juiz federal deu ganho de causa a um grupo de pais em Dover, na Pensilvânia, que contestavam a decisão de administradores de escolas de incluir o ensino do design inteligente no currículo escolar.
O juiz decidiu que isso violaria a Constituição, que estabelece uma separação clara entre religião e Estado.
Além disso, 14 Estados americanos estão considerando medidas que restringiriam o ensino da teoria da evolução, como um projeto no Missouri que determina que apenas a ciência que pode ser provada poderia ser ensinada nas escolas.
“A nova estratégia é ensinar o design inteligente sem chamar isso de design inteligente”, disse à BBC Kenneth Miller, da Brown University. “Os defensores do design inteligente e do criacionismo tentaram reformular suas críticas, dizendo que querem ensinar as evidências a favor da evolução e contra a evolução.”
Porém Mark Gihring, professor do Missouri simpático ao design inteligente, disse à BBC: “Acho que se olharmos para onde a evidência científica nos leva, ela nos leva em direção ao design inteligente”.
Entre os mais importantes defensores do design inteligente está o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que disse que as escolas deveriam deixar os estudantes conscientes do conceito.
Mas Omenn advertiu que o ensino do design inteligente deixaria os estudantes sem uma educação apropriada, prejudicando no fim das contas a economia dos Estados Unidos.
“Numa época em que menos estudantes americanos estão escolhendo o caminho da ciência, os cientistas da geração do baby boom estão se aposentando e os cientistas estrangeiros estão voltando para trabalhar em seus países, os Estados Unidos não podem perder tempo e dinheiro do contribuinte debatendo os fatos da evolução”, disse.